Biografia do Rev. Oscar Chaves – 2 (por seu filho Eduardo Chaves)

[Estas notas, exceto onde assinalado, são basicamente autobiográficas, retiradas que foram de resumo dos principais fatos de sua vida preparados pelo próprio Rev. Oscar Chaves e destinados a uma publicação feita pela Igreja Presbiteriana de Santo André, quando ele comemorou 40 anos de ordenação ao ministério em 1982. Alguns fatos foram acrescentados ao relato biográfico com base em outras anotações do Rev. Oscar Chaves, feitas em sua primeira Bíblia, ganha do Rev. Eduardo Lane como presente de Natal no ano de 1932. Outros fatos foram complementados por mim, Eduardo Chaves, filho mais velho do Rev. Oscar, porque era do meu conhecimento. Ao final, incluo alguns poemas e hinos escritos pelo Rev. Oscar. A biografia escrita por meu irmão também inclui alguns.]

Oscar Chaves – Auto/Biografia

Oscar Chaves - foto classicaO Rev. Oscar Chaves nasceu em Patrocínio, Minas Gerais, em 11 de Outubro de 1912, filho de Carlos Gonçalves Chaves e Alvina Jacintha de Oliveira Chaves.

Nasceu em lar católico e cresceu como católico sincero, indo à igreja todos os domingos, acompanhando todas as procissões, especialmente as da Semana Santa. Quando ainda mocinho fez parte da Conferência de São Vicente de Paula, que naquele tempo só tinha pessoas de idade. Mais tarde, quando jovem, começou a estudar o espiritismo de Allan Kardec e se tornou um católico-espírita. Freqüentou muitas sessões espíritas com sua mãe. Depois foi convidado para os cultos protestantes (crentes), tendo aceito vários convites.

Quando começou a ter envolvimento com os crentes, pôs-se a ler livros de polêmicas do pastor Presbiteriano Rev. Álvaro Reis com espíritas (Cartas a um Doutor Espírita, por exemplo) e abandonou as idéias espíritas. Depois voltou-se para livros de controvérsias de protestantes com padres católicos, escritos especialmente por diversos autores presbiterianos.

O livro que mais o esclareceu e o entusiasmou foi Mimetismo Católico, discussão entre o Rev. Álvaro Reis, famoso pastor presbiteriano, e o Dr. Carlos de Laet, grande líder católico. Chegou a ler esse livro oito vezes! Mas ainda não era “crente” e tinha vergonha de entrar na Igreja Evangélica. Só no final de 1932 veio a se converter. Para que isso acontecesse, teve de ir para uma outra cidade, Patos de Minas, perto de Patrocínio, onde ficou cinco meses lecionando num pequeno colégio.

(Vide Nota 1)

Em Patos ele se firmou no Evangelho e, voltando para Patrocínio em Dezembro de 1932, fez, no dia 1º de Janeiro de 1933, sua profissão de fé na Igreja Presbiteriana, com o Rev. Dr. Eduardo Lane. Em Fevereiro, um mês depois de professar, já fez sua primeira pregação no púlpito daquela igreja, a convite do pastor. Nessa data, 1/2/1933, o texto de seu primeiro sermão foi o do Evangelho Segundo João, cap. 5, vers. 40: “E não quereis vir a mim para terdes vida.”

Naquele mesmo ano desejou ir estudar para o ministério em São Paulo. Seu pastor, Dr. Lane, viu, porém, que ele estava muito “verde” e o fez esperar um ano. Em Fevereiro de 1934 foi para o Curso Universitário “José Manuel da Conceição”, em Jandira, onde estudou cinco anos (quando foi para o JMC já tinha o 3º Ginasial). Lá se formou em 1938, indo então para o Seminário de Campinas, onde concluiu o curso teológico em 1941.

Foi licenciado pregador do Evangelho em 26 de Janeiro de 1942 (segunda-feira), pelo então Presbitério de São Paulo, na Congregação Presbiterial “Betânia”, em Pinheiros, sob o pastorado do Rev. Avelino Boamorte. Seu sermão de prova versou sobre João 18:36: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos para que eu não fosse entregue aos Judeus. Mas agora o meu reino não é daqui”.

Licenciado, foi enviado para a cidade de Paracatu, MG, para trabalhar com a West Brazil Mission, sendo o primeiro obreiro da Missão a residir naquela antiga cidade mineira.

De Paracatu veio para Campinas, em Junho de 1942, para se casar, no dia 3 de Julho, com Edith de Campos, com quem ficou casado até o fim de sua vida. Da. Edith foi com o Rev. Oscar para Paracatu, quando ele para lá voltou, depois das núpcias.

No fim de 1942 o Rev. Oscar foi convidado para ser missionário da Junta de Missões Nacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e, aceitando o convite, foi ordenado para o ministério pelo Presbitério de São Paulo, no dia 31 de Janeiro de 1943 (domingo, à noite), no templo da Igreja Cristã Reformada da Lapa, em São Paulo. Com ele foram ordenados Wilson de Castro Ferreira e Domício Pereira de Matos. Estavam presentes no culto os Revs. William Kerr, Avelino Boamorte, Mario Cerqueira Leite, Amantino Adorno Vassão, Miguel Rizzo Júnior (orador), Paulo Pernassetti, Júlio Camargo Nogueira, Jorge César Mota e o pastor da Igreja Cristã Reformada. Oficiaram como ministros assistentes os Revs. Zaqueu de Melo [que era irmão de uma cunhada do Rev. Oscar, Da. Maria de Melo Chaves, autora de um livro sobre o Protestantismo brasileiro, Bandeirantes da Fé, traduzido para o francês como Pionniers de la Foi e reeditado recentemente pela Editora Cultura Cristã] e Moisés Aguiar. Seu sermão de ordenação versou sobre Filipenses 1:21: “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho”. A primeira parte desse versículo é, em grego, o moto do Instituto JMC: “’emoì gàr tò zên Christós”.

Ordenado, ele foi então enviado para Lucélia, na Alta Paulista, onde fundou o trabalho presbiteriano, que nasceu em sua casa, na sala de visitas. Ficou ali dois anos deixando um terreno comprado, um grande salão construído e uma Escola Dominical com 127 alunos. Em Lucélia nasceu, em Setembro de 1943, seu primogênito, Eduardo Oscar [Responsável por este blog]. Enquanto em Lucélia, implantou várias igrejas na região, com destaque para a de Dracena, em 1943.

De Lucélia foi enviado para Irati, no sul de Paraná (entre Ponta Grossa e Guarapuava), onde ficou menos de um ano, pois o trabalho era realizado entre luteranos, o que não era um campo propício para a Junta.

Dali foi enviado ao norte do Paraná, para onde, naquela época, afluíam famílias de toda a parte. Em Marialva foi residir em uma casa de madeira, inacabada, pois era tremenda a escassez de moradias, devido ao alto número de famílias que chegavam todos os dias. Em Marialva já havia uma pequena Escola Dominical num pequenino salão de madeira, que era visitada pelo Rev. Wilson Lício, então pastor em Arapongas. Foi comprado um harmônio, um terreno e construído um grande templo de madeira. Em três anos havia uma Escola Dominical com 173 alunos e um imponente coral com quase trinta coristas, com todos os coristas de uniforme (herança do JMC) — algo que revolucionou aquela pequenina cidade que, naquela época, era uma cidade estilo “velho Oeste”, com cenas de “bang-bang” na rua. Ali recebeu mais de 60 novos membros, a maioria vinda do romanismo e do espiritismo. O Rev. José Carlos Nogueira, então presidente da Junta, quando visitou aquele campo, disse que Marialva era a “Antioquia do Paraná”.

Em Dezembro de 1946, durante seu ministério em Marialva nasceu, em Campinas, SP, seu segundo filho, Flávio, que é hoje Presbítero da Igreja Presbiteriana “Maranatha”, de Santo André, SP.

Depois de três anos, formado o trabalho em Marialva, deslocou-se para Maringá, para abrir ali o trabalho presbiteriano, pois a cidade, oficialmente criada em 1947, devia se tornar, como de fato se tornou, a mais importante cidade ao oeste de Londrina. Alugou uma casa com um salão comercial na frente e, no salão, começou uma Escola Dominical com 18 alunos. Não havia luz elétrica, nem água encanada, nem esgoto, nem calçamento. Ali teve um campo que, quando de sua saída, no início de 1952, se desdobrou em quatro outros. De jardineira da Viação Garcia visitava Marialva, Mandaguari, Jandaia do Sul, Pirapó, Taquarussu, Peaberu, Campo Mourão, Paranavaí, Capelinha e outros lugarejos.

Depois de três anos em Maringá, veio para São Paulo, deixando lá dois bons lotes de terreno comprados, onde depois foi construído o atual templo, e uma Escola Dominical com 137 alunos.

A convite do Presbitério de São Paulo, assumiu, a partir de Março de 1952, a Igreja Presbiteriana de Santo André — igreja recém organizada (o fora em 1951), com poucos recursos humanos e financeiros. A Escola Dominical, quando tinha 60 pessoas, estava animadíssima. O pequeno salão de cultos, construído na Rua 11 de Junho, 878, onde está hoje o Edifício de Educação Religiosa, poucas vezes se enchia. O campo era formado pela igreja de Santo André e as congregações de São Bernardo do Campo e do Parque das Nações, este um bairro de Santo André.

Em 1982 [quando foram preparadas estas notas biográficas, para comemorar os 40 anos de ordenação do Rev. Oscar], Santo André tinha uma Escola Dominical com 580 alunos, a igreja tinha 600 membros adultos e um Conjunto Coral de 90 vozes. A Igreja de Santo André tinha, em 1982, cinco filhas já emancipadas e organizadas: as Igrejas de São Bernardo do Campo, Parque das Nações, Utinga (também bairro de Santo André), Mauá e Ribeirão Pires, além de congregações em Jardim das Monções, Cidade São Jorge, e Vila Suiça, todas em Santo André. A Igreja de Santo André já tinha (também em 1982) uma “neta”, a Igreja de Santo Alberto, criada pela Igreja do Parque das Nações.

Em outubro de 1976, depois de pastorear a igreja de Santo André por 24 anos, foi reeleito pastor com 99,1% dos votos da Assembléia Geral da igreja.

Em Santo André nasceram suas duas filhas, Priscila, em Março de 1957, e Eliane, em Janeiro de 1959. Ambas continuam a residir em Santo André.

O Rev. Oscar foi Presidente dos Presbitérios Paulistano e da Borda do Campo, tendo sido também Tesoureiro deste e do Sínodo que o congregava (Sínodo Santos-Borda do Campo). Foi Presidente da Junta de Missões Nacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil e membro da Comissão de Evangelização Presbiteriana. Visitou uma vez os Estados Unidos, a convite do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (presidido pelo arqui-conservador Rev. Carl McIntire), para assistir, como observador, a uma de suas grandes reuniões, em Atlantic City, New Jersey.

O Rev. Oscar foi convidado para ocupar vários cargos na administração da Igreja Presbiteriana do Brasil, e mesmo para ser professor de sua alma mater, o Seminário de Campinas. Entretanto, sempre declinou dos convites, preferindo o trabalho na igreja local.

O Rev. Oscar fez diversos trabalhos de evangelização pelo rádio, em duas emissoras de Santo André. Pregou em mais de cem cidades de treze Estados brasileiros. Foi reeleito diversas vezes pastor da Igreja Presbiteriana de Santo André [vide abaixo].

(Vide Nota 2)

Em 1982 o Rev. Oscar completou 70 anos e foi jubilado. Permaneceu, entretanto, ajudando na Igreja, que passou a ser pastoreada pelo até então pastor auxiliar, Rev. Evandro Luiz da Silva, que havia sido escolhido por ele próprio.

Em um desses lamentáveis acontecimentos a que nem as pessoas mais bem intencionadas estão imunes, o Rev. Oscar e o Rev. Evandro Luiz da Silva se desentenderam a tal ponto que, em 1986, o Rev. Oscar e um grupo de membros da Igreja Presbiteriana de Santo André deixaram a igreja e formaram uma congregação que eventualmente se tornou a Segunda Igreja Presbiteriana de Santo André, hoje chamada Igreja Presbiteriana Maranatha de Santo André. Ali os membros que acompanharam o Rev. Oscar o declararam Pastor Emérito – corrigindo o que só pode ser qualificado de uma indelicadeza cometida pela Igreja que ele pastoreou durante mais de 30 anos, que não havia tomado a iniciativa de assim honrá-lo (ou, em outra versão, concedeu-lhe o título mas depois cassou-o). A Igreja Presbiteriana Maranatha tem hoje (1997) prédio próprio onde funcionam o tempo e as instalações de Educação Religiosa.

O Rev. Oscar, além de dedicado pastor e excelente homem de púlpito, era poeta e músico. Escreveu várias poesias e inúmeras letras de hino, tendo também composto a melodia de alguns. Tocava vários instrumentos, todos eles de ouvido: órgão (inclusive elétrico), piano, acordeon, flauta transversal, flauta doce, gaita, violão, cavaquinho, bandolim, e até mesmo serrote. Era bom pintor de telas de aquarela e guache – embora quase todas elas, e suas gravuras a lápis, exibissem o mesmo tema bucólico e campestre, pleno de por-de-sóis, montanhas, coqueiros, palmeira (ou então as paranaenses araucárias) e lagos com pequenos barcos a vela.

O Rev. Oscar faleceu em 5/3/91, no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, vitimado por câncer na próstata. Morreu um ano antes de poder comemorar o Jubileu de Ouro de sua ordenação e as suas Bodas de Ouro com Da. Edith de Campos Chaves, que o sobreviveu por treze anos, vindo a falecer em 11 de Junho de 2008 (coincidente na data — em que se comemora a Batalha de Riachuelo — que dava nome à rua da Primeira Igreja Presbiteriana de Santo André. Uma ironia da vida.

O Rev. Oscar deixou, ao falecer, além da esposa e seus quatro filhos, seis netos: Andrea e Patrícia (filhas de Eduardo Oscar), Flávio Filho e César (filhos de Flávio), e Vítor e Diogo (filhos de Eliane). Hoje, se vivo, ele teria dois bisnetos, Gabriel e Lucas, filhos do César.

(Vide Nota 3)

NOTAS:

(1) [Nota de Eduardo Chaves, responsável por este blog e filho do Rev. Oscar]

Com data de 28 de fevereiro de 1931, quando ele tinha, portanto, apenas 18 anos, Oscar Chaves transcreveu, em um caderno de capa dura, e em caprichada letra de imprensa, 39 páginas de um trecho sobre a “A Matança dos Protestantes, em Paris, no dia 24 de Agosto de 1572, Domingo, Dia de São Bartolomeu”, retirado do romance histórico de Michel Zevaco chamado Epopéa d’Amor. Depois de transcrever a passagem do livro, ele comentou, de próprio punho:

“Não nos admira nada que tal coisa acontecesse, porque isso é o cumprimento da prophecia do Apocalypse, que, referindo-se à Egreja Romana (que mais tarde havia de apostatar), disse: ‘E não luzirá mais em ti a luz das lâmpadas, nem se ouvirá mais em ti a voz do esposo e da esposa, porque os teus mercadores eram príncipes da terra, porque nos teus ensinamentos erraram todas as gentes. E nella (na Egreja) foi achado o sangue dos prophetas, dos santos, e de todos os que foram mortos sobre a terra’ (Apocalypse 18:23,24). ‘E a mulher (a Egreja Romana) estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas . . . e na sua fronte estava escripto este nome: Mistério! Babilônia, a Grande, a mãe da fornicação e das abominações da Terra. E a mulher achava-se embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus’ (Apocalypse 17:4,5,6).

O castigo dessa egreja apóstata será grande, e, por isso, a todos dirige o Senhor este apêllo: ‘Sahi della, povo meu, para não serdes participantes dos seus delictos, e para não serdes comprehendidos nas suas pragas. Porque os seus peccados chegaram até os céus, e o Senhor se lembrou das suas iniqüidades’. (Apocalypse 18:4,5).”

Fim da citação. Só 22 meses depois, em Dezembro de 1932, Oscar Chaves iria formalmente abraçar a Igreja Presbiteriana. Mas sua convicção acerca da Igreja Romana estava firmada bem antes disso, como demonstra não só a citação, mas o esforço necessário para transcrever a mão, em letra de imprensa, 39 páginas de um texto vibrante de denúncia das atrocidades cometidas pelos Católicos contra os Protestantes (Huguenotes) naquele Domingo de São Bartolomeu em Paris, no ano de 1572.

(2) A partir daqui, o texto é um acréscimo pela mão de Eduardo Chaves, responsável por este blog, e filho do Rev. Oscar Chaves.

(3) Eis alguns fatos que meu pai julgou importante anotar em sua Bíblia preferida e mais velha, um presente do Rev. Eduardo Lane e que tem, na capa de dentro, uma fotografia do Rev. Eduardo Lane e outra dele, com as seguintes anotações, de próprio punho:

“Oscar Chaves

25 de Dezembro de 1932

Esta Bíblia foi um presente do Rev. Dr. Eduardo Lane, em Patrocínio, Minas, no Natal de 1932 (a minha primeira Bíblia!).

Sou do Senhor.”

Logo abaixo há um recorte de jornal com os seguintes dizeres:

“Fracassaremos:

Quando perdermos o interesse por nós mesmos
Quando vivermos tão ocupados que não possamos sorrir um pouco
Quando considerarmos o dinheiro mais valioso que o respeito próprio
Quando nos esquecermos das distrações.
Quando deixarmos de espalhar um pouco de felicidade durante as horas de trabalho diário
Quando calcarmos os princípios sob nossos pés
Quando tirarmos vantagens daquelles que são mentalmente fracos.
Quando invejarmos o que possuem os que nos rodeiam
Quando permitirmos que o egoísmo domine os nossos corações
Quando dermos à religião o segundo lugar em nossas vidas

Buscae primeiro o reino de Deus e a sua justiça e as outras cousas vos serão acrescentadas.

(Traduzido)”

Em uma página em branco na parte de dentro da segunda capa estão registrados os seguintes fatos:

“Pai: Carlos Gonçalves Chaves, nascido em 4/11/81, falecido em 7/4/1926.

Mãe: Alvina Jacyntha de Oliveira, nascida em 24/10/88, falecida 3/4/1959.

Irmãos:

Carlos Chaves, 13 de março
Raul, 20 de novembro
Mauro, 25 de fevereiro
Aldo, 25 de fevereiro
Dulce, 18 de fevereiro”

Em algumas páginas em branco entre o Velho e o Novo Testamento estão registrados os seguintes fatos:

“Professei minha fé em  Jesus Cristo no dia 1 de Janeiro de 1933, na Igreja Evangélica desta cidade, de Patrocínio. Fiz minha primeira pregação numa quinta-feira, dia 23 de fevereiro de 1933, na Igreja Evangélica desta cidade, sobre João 5:40.

Patrocínio, Março de 1933

Recebi o meu diploma da Faculdade de Teologia no dia 14 de novembro de 1941 (sexta-feira, no Teatro Municipal de Campinas [o celebrado Teatro São Carlos]).

Fiquei noivo da Edith no dia 18 de novembro de 1941, em Campinas, às 7 hs. Da noite.

Casei-me no dia 3 de julho de 1942, às 16 hs,  na Faculdade de Teologia, em Campinas.

Fui licenciado pregador do evangelho no dia 26 de janeiro de 1942 (segunda Feira) na Congregação Presbiterial “Betania”, em Pinheiros, sob o pastorado do Rev. Avelino Boamorte.

Trabalhei durante o ano de licenciatura em Paracatu, Minas, para a West Brazil Mission.

Fui ordenado para o santo ministério no dia 31 de janeiro de 1943 (Domingo, à noite), no templo da Igreja Cristã Reformada da Lapa, São Paulo. Comigo foram ordenados: Wilson Ferreira de Castro e Domício Pereira de Matos.

Ministros presentes: Revs.: William Kerr, Avelino Boamorte, Mario Cerqueira Leite, Amantino Adorno Vassão, Miguel Rizzo Jr. (orador), Paulo Pernassetti, Júlio Camargo Nogueira, Jorge César Mota e o pastor da Igreja Cristã Reformada.

Ministros assistentes: Revs. Zaqueu de Melo e Moisés Aguiar.

Comecei o trabalho missionário, para a “Junta Mista de Missões”, em Lucélia, S. Paulo, no dia 24-2-1943.

Nasceu o nosso primogênito, Eduardo Oscar, em Lucélia, S. Paulo (à rua Amazonas s/n), no dia 7 de setembro de 1943, às 10 hs da noite (terça-feira).

Eduardo Oscar foi batizado em Campinas, na Igreja Cristã Presbiteriana, na noite de 30-1-1944, pelo Rev. Dr. Eduardo Lane. [Não se esclarece de que cidade: presumo que Campinas].

Flávio: nasceu o nosso segundo filho, Flávio, no dia 20 de dezembro de 1946, às 7:14 da manhã, em Campinas, à Rua José Paulino, 254 [pertinho do Largo do Pará].

Flávio foi batizado no dia 22 de fevereiro de 1948, domingo, às 8:30 da manhã, na Igreja Cristã Presbiteriana de Campinas, pelo Rev. Américo Justiniano Ribeiro.

Com a “Junta de Missões”, trabalhei 9 anos: 2 anos e 4 meses em Lucélia, 8 meses em Irati, e 6 anos em Marialva e Maringá, no norte do Paraná.

Em 1952 (março) deixei a “Junta” e voltei para o Presbitério de São Paulo, pastoreando a Igreja de Sto. André (a partir de Março de 1952) como pastor do presbitério.

Em Janeiro de 1953 fui eleito por 3 anos pela Igreja.

Em Janeiro de 1956 (dia 8) fui reeleito por mais 5 anos (143 membros presentes e recebi 138 votos).

Em 1961 fui eleito pela terceira vez por mais 5 anos.

Em 1966 fui eleito pela quarta vez pastor de Santo André por mais 5 anos (187 presentes, tive 184 votos)

Em 3-10-71 fui eleito pela quinta vez  por mais 5 anos (268 votos dos 271 membros presentes)

Em 24-10-1976 fui eleito pela sexta vez por mais 5 anos, com 99,1% dos votos (235 pessoas e tive 233 votos).

Priscila: nasceu nossa filhinha no dia 2 de março de 1957, às 23:55 horas, em Santo André, à Rua Particular, nº 10 (Travessa da Senador Flaquer).

Eliane: nasceu em Santo André, também à rua Particular, nº 10 (Travessa da Senador Flaquer) no dia 27 de Janeiro de 1959, às 7:30 horas da manhã.

Ambas foram batizadas na Igreja Presbiteriana de Santo André, na Escola Dominical, pelo Rev. Raimundo dos Santos, no dia 7 de fevereiro de 1960.

FINIS”

ALGUNS POEMAS E HINOS ESCRITOS PELO REV. OSCAR CHAVES:

1. Saudades de Minas

(De Oscar Chaves, JMC, 1934)

O sol vermelho e triste, caindo em cheio
Sobre as matas e as campinas,
Faz-me lembrar das tardes frescas
E saudosas lá de Minas…

O sol claro e lindo, cheio de raios
Resplandecentes, faz-me lembrar
Da terra linda e encantadora
De Tiradentes…

Lá nas mangueiras, bem de manhã,
O sabiá canta u’a melodia…
Depois a rola arrulha triste,
Despedindo-se do belo dia…

E, assim, na minha terra tudo tem um canto
De alegria… Desde a alva tudo ri,
Tudo salta, tudo vive, e cantante é o viver,
Desde a luz da madrugada até a lua aparecer!

(Nota do autor: Essa poesia eu a escrevi no meu primeiro ano de estudo no Curso Universitário “José M. da Conceição”, em 1934, quando senti a nostalgia de quem está longe do lar e da igreja (no ano anterior, 1933, eu tinha feito a profissão de fé em Patrocínio, com o Dr. Eduardo Lane). [O autor tinha 21 anos ao escrever o poema, nascido que era em 11/10/1912].

2. Por que Choras?

(De Oscar Chaves, JMC, 1938)

“E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro.
Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras?”
João 20:11,15

Junto ao sepulcro, chorando,
Na manhã daquele dia,
Estava a fiel Maria
O Salvador procurando.

Chorava a serva leal,
Com coração aflitivo,
Pensando estar sepultado
Aquele que estava vivo.

Mas Jesus, que conhecia
Dos humanos a fraqueza,
No rosto leu, de Maria,
A causa de tal tristeza.

E disse-lhe: Por que choras,
Como os que vivem sem luz?
A morte já foi vencida,
Porque vivo está Jesus!

Há muitos que, qual Maria,
Numa vida sem bonança,
Não têm paz nem alegria,
E choram sem esperança!

Não têm o Cristo dos céus,
Que sara toda amargura,
Pois confiam num Cristo morto,
Debaixo da sepultura!

Por que choras, meu irmão,
Como a triste Madalena?
Já ressuscitou Jesus
E do teu sofrer tem pena.

Levanta o olhar bem p’ra cima,
Tira os teus olhos do chão!
No céu está quem te anima,
Por que choras, meu irmão?

3. Aviva-me

(Letra de Oscar Chaves)

Eu salvo estou em Cristo, meu amado Salvador,
Eu tenho garantia no sangue expiador.
Mas para gozar paz até no meio do sofrer,
Minh’alma avivamento deve ter!

Coro:

Aviva-me, Senhor! Aviva-me, Senhor!
Eu quero ter servir com mais amor!
Meu débil coração de forças vem encher,
Ó Santo Espírito Consolador!

Oh, cria em mim, meu Deus, um santo e puro coração,
Dirige os passos meus, com tua santa mão!
O mal que te entristece não me deixes praticar,
Teu sangue pode me purificar!

Alegre nos teus passos quero sempre caminhar,
Nos teus possantes braços eu posso me amparar!
Oh, serve-te de mim no teu serviço, meu Jesus,
E eu andarei, assim, na tua luz!

4. Graças pela Igreja

(Letra de Oscar Chaves)

Graças dou por esta igreja que o Senhor aqui plantou,
Pelo som do Evangelho que ela sempre proclamou!
Pelos pobres pecadores que aqui acharam luz,
Pelas almas convertidas que aceitaram a Jesus!

Graças pela mocidade, sempre alegre, a brilhar,
Graças pelas criancinhas, que aqui têm outro lar!
Graças dou pelas senhoras e pelos varões também
Que em prol do Evangelho dão de si tudo que têm!

Graças dou pelo Coral, sempre firme e vencedor,
Que através de temporais tem louvado o Salvador!
Graças por irmãos queridos que já estão além do véu,
E por outros qu’inda lutam caminhando para o céu!

Graças do pela doutrina e a firmeza que ela traz,
Pela Bíblia que ensina ser Jesus a nossa paz!
Ó Jesus, Senhor da Igreja, para ti todo o louvor,
Toda a glória tua seja pelo teu imenso amor.

5. A Luta do Bem

(Letra de Oscar Chaves)

A vida cristã é feliz,
Apesar da tristeza e da dor,
Pois no meio da luta,
Ajudando a vencer,
Conosco está o Senhor!

Coro:

Vamos todos na luta do bem
O Evangelho de Cristo pregar,
Pois só ele, Jesus, é quem tem
O remédio eficaz
Para o mundo salvar!

Há muitos que vivem sem luz
Tateando nas trevas do mal,
Com a vida infeliz,
Com triste final,
Precisam de Cristo Jesus!

O tempo já passa veloz
E Cristo não tarda a voltar,
E este mundo perdido
Precisa de nós,
Senão não se pode salvar!

6. Privilégios do Crente

(Letra de Oscar Chaves)

Nós somos crentes em Jesus
E não seguimos mais o mal!
Remidos somos, já temos luz,
E temos novo ideal!

A vida nova agora temos,
Pois o pecado fica atrás!
No evangelho de Jesus Cristo
A nossa vida encontra a paz!

Nós somos servos do Senhor,
Fomos comprados lá na cruz,
E agora, em prova do nosso amor,
Levemos outros a Jesus!

Deixemos nossa luz brilhar
Porque o mundo em trevas jaz!
Só o redimido pode mostrar
Que o Evangelho satisfaz!

Seja bendito o nosso Deus
Por esta grande salvação,
Pois no caminho que leva aos céus
Sempre nos guia a sua mão!

Ao Salvador que nos salvou
Cantemos glória, glória, glória,
Pois pelo sangue que derramou
Temos certeza da vitória!

7. Nossa SAF (Sociedade Auxiliadora Feminina)

(Letra de Oscar Chaves)

Neste mundo confuso e perdido
Densas trevas encobrem a luz!
Corações todo dia desmaiam
E sucumbem com o peso da cruz!

Coro:

As mulheres cristãs desta igreja
Se uniram num só coração
Para as trevas do mundo espancarem
Com a Bíblia Sagrada na mão!
Com a Bíblia Sagrada na mão!

De semana em semana vão elas
Visitar os mais fracos na fé,
Pelos bairros e pelas vielas
Colocando os caídos de pé!

Muitas vezes seus lares deixando
Nossa SAF tem este ideal:
Vai cantando, vai lendo e orando,
Vai vencendo com o bem todo o mal!

(Para ser cantado com a música do Hino 642 do “Salmos e Hinos)

8. Acróstico: A Mulher PRESBITERIANA

(Por Oscar Chaves)

Preparada sempre pra servir,
Resoluta, confiada no Senhor,
Ela luta e vive a sorrir,
Sem orgulho, sem jaça, sem tremor!
Brandindo a Divina Espada,
Iluminada pela luz do céu,
Tem a vida bem iluminada,
Esperando a glória além do véu!
Reprovando todo o mau caminho,
Instruindo os que vivem sem luz,
A ninguém ilude e nem engana!
Na vida sempre anda com Jesus
A formidável mulher PRESBITERIANA!

Transcrito aqui em São Paulo, 6 de Novembro de 2015

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