Alguns Poemas e Hinos Escritos pelo Rev. Oscar Chaves

1. Saudades de Minas

(De Oscar Chaves, JMC, 1934)

O sol vermelho e triste, caindo em cheio
Sobre as matas e as campinas,
Faz-me lembrar das tardes frescas
E saudosas lá de Minas…

O sol claro e lindo, cheio de raios
Resplandecentes, faz-me lembrar
Da terra linda e encantadora
De Tiradentes…

Lá nas mangueiras, bem de manhã,
O sabiá canta u’a melodia…
Depois a rola arrulha triste,
Despedindo-se do belo dia…

E, assim, na minha terra tudo tem um canto
De alegria… Desde a alva tudo ri,
Tudo salta, tudo vive, e cantante é o viver,
Desde a luz da madrugada até a lua aparecer!

(Nota do autor: Essa poesia eu a escrevi no meu primeiro ano de estudo no Curso Universitário “José M. da Conceição”, em 1934, quando senti a nostalgia de quem está longe do lar e da igreja (no ano anterior, 1933, eu tinha feito a profissão de fé em Patrocínio, com o Dr. Eduardo Lane). [O autor tinha 21 anos ao escrever o poema, nascido que era em 11/10/1912].

2. Por que Choras?

(De Oscar Chaves, JMC, 1938)

“E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro.
Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras?”
João 20:11,15

Junto ao sepulcro, chorando,
Na manhã daquele dia,
Estava a fiel Maria
O Salvador procurando.

Chorava a serva leal,
Com coração aflitivo,
Pensando estar sepultado
Aquele que estava vivo.

Mas Jesus, que conhecia
Dos humanos a fraqueza,
No rosto leu, de Maria,
A causa de tal tristeza.

E disse-lhe: Por que choras,
Como os que vivem sem luz?
A morte já foi vencida,
Porque vivo está Jesus!

Há muitos que, qual Maria,
Numa vida sem bonança,
Não têm paz nem alegria,
E choram sem esperança!

Não têm o Cristo dos céus,
Que sara toda amargura,
Pois confiam num Cristo morto,
Debaixo da sepultura!

Por que choras, meu irmão,
Como a triste Madalena?
Já ressuscitou Jesus
E do teu sofrer tem pena.

Levanta o olhar bem p’ra cima,
Tira os teus olhos do chão!
No céu está quem te anima,
Por que choras, meu irmão?

3. Aviva-me

(Letra de Oscar Chaves)

Eu salvo estou em Cristo, meu amado Salvador,
Eu tenho garantia no sangue expiador.
Mas para gozar paz até no meio do sofrer,
Minh’alma avivamento deve ter!

Coro:

Aviva-me, Senhor! Aviva-me, Senhor!
Eu quero ter servir com mais amor!
Meu débil coração de forças vem encher,
Ó Santo Espírito Consolador!

Oh, cria em mim, meu Deus, um santo e puro coração,
Dirige os passos meus, com tua santa mão!
O mal que te entristece não me deixes praticar,
Teu sangue pode me purificar!

Alegre nos teus passos quero sempre caminhar,
Nos teus possantes braços eu posso me amparar!
Oh, serve-te de mim no teu serviço, meu Jesus,
E eu andarei, assim, na tua luz!

4. Graças pela Igreja

(Letra de Oscar Chaves)

Graças dou por esta igreja que o Senhor aqui plantou,
Pelo som do Evangelho que ela sempre proclamou!
Pelos pobres pecadores que aqui acharam luz,
Pelas almas convertidas que aceitaram a Jesus!

Graças pela mocidade, sempre alegre, a brilhar,
Graças pelas criancinhas, que aqui têm outro lar!
Graças dou pelas senhoras e pelos varões também
Que em prol do Evangelho dão de si tudo que têm!

Graças dou pelo Coral, sempre firme e vencedor,
Que através de temporais tem louvado o Salvador!
Graças por irmãos queridos que já estão além do véu,
E por outros qu’inda lutam caminhando para o céu!

Graças do pela doutrina e a firmeza que ela traz,
Pela Bíblia que ensina ser Jesus a nossa paz!
Ó Jesus, Senhor da Igreja, para ti todo o louvor,
Toda a glória tua seja pelo teu imenso amor.

5. A Luta do Bem

(Letra de Oscar Chaves)

A vida cristã é feliz,
Apesar da tristeza e da dor,
Pois no meio da luta,
Ajudando a vencer,
Conosco está o Senhor!

Coro:

Vamos todos na luta do bem
O Evangelho de Cristo pregar,
Pois só ele, Jesus, é quem tem
O remédio eficaz
Para o mundo salvar!

Há muitos que vivem sem luz
Tateando nas trevas do mal,
Com a vida infeliz,
Com triste final,
Precisam de Cristo Jesus!

O tempo já passa veloz
E Cristo não tarda a voltar,
E este mundo perdido
Precisa de nós,
Senão não se pode salvar!

6. Privilégios do Crente

(Letra de Oscar Chaves)

Nós somos crentes em Jesus
E não seguimos mais o mal!
Remidos somos, já temos luz,
E temos novo ideal!

A vida nova agora temos,
Pois o pecado fica atrás!
No evangelho de Jesus Cristo
A nossa vida encontra a paz!

Nós somos servos do Senhor,
Fomos comprados lá na cruz,
E agora, em prova do nosso amor,
Levemos outros a Jesus!

Deixemos nossa luz brilhar
Porque o mundo em trevas jaz!
Só o redimido pode mostrar
Que o Evangelho satisfaz!

Seja bendito o nosso Deus
Por esta grande salvação,
Pois no caminho que leva aos céus
Sempre nos guia a sua mão!

Ao Salvador que nos salvou
Cantemos glória, glória, glória,
Pois pelo sangue que derramou
Temos certeza da vitória!

7. Nossa SAF (Sociedade Auxiliadora Feminina)

(Letra de Oscar Chaves)

Neste mundo confuso e perdido
Densas trevas encobrem a luz!
Corações todo dia desmaiam
E sucumbem com o peso da cruz!

Coro:

As mulheres cristãs desta igreja
Se uniram num só coração
Para as trevas do mundo espancarem
Com a Bíblia Sagrada na mão!
Com a Bíblia Sagrada na mão!

De semana em semana vão elas
Visitar os mais fracos na fé,
Pelos bairros e pelas vielas
Colocando os caídos de pé!

Muitas vezes seus lares deixando
Nossa SAF tem este ideal:
Vai cantando, vai lendo e orando,
Vai vencendo com o bem todo o mal!

(Para ser cantado com a música do Hino 642 do “Salmos e Hinos)

8. Acróstico: A Mulher PRESBITERIANA

(Por Oscar Chaves)

Preparada sempre pra servir,
Resoluta, confiada no Senhor,
Ela luta e vive a sorrir,
Sem orgulho, sem jaça, sem tremor!
Brandindo a Divina Espada,
Iluminada pela luz do céu,
Tem a vida bem iluminada,
Esperando a glória além do véu!
Reprovando todo o mau caminho,
Instruindo os que vivem sem luz,
A ninguém ilude e nem engana!
Na vida sempre anda com Jesus
A formidável mulher PRESBITERIANA!

Transcrito aqui, à parte da biografia, em Salto, 11 de Outubro de 2017

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Relato do Terceiro Dia e Apanhado Geral: 24/9/2017

O terceiro dia do Encontro dos Manuelinos de 2017, como o primeiro, foi curto: às 14h tínhamos de estar fora dos quartos e, logo depois, quase todo mundo já havia ido embora. Um ou outro, que mora longe, ficou para viajar apenas na segunda-feira cedo. Todo mundo lamentava que o tempo tivesse passado tão rápido. Embora no calendário fossem indicados três dias, na verdade foram só dois: de 14h do dia 22 até às 14h do dia 24. Quarenta e oito horas é pouco para quem tem tanto a rememorar, a conversar, a mostrar, a indagar… E alguns chegaram bem depois das 14h no dia 22 e outros saíram mais cedo no dia 24. E houve alguns que, por força de compromissos familiares ou profissionais, só vieram por (parte de) um dia: o Eliezer Rizo, no sábado, e o Assir (Gordurinha) e a Dayse Pereira, no domingo. O Geodi Camargo Almeida, acompanhado da mulher (de cujo nome infelizmente me esqueço) só chegou no sábado – mas ficou até o fim no domingo…

Ontem (24/9, domingo) tivemos um café da manhã longo e preguiçoso, que se estendeu das 7 às 10h. O refeitório se tornou um excelente local de bate papo. A gente se juntava ao redor de uma mesa, depois de outra, e, sentindo vontade de beliscar alguma coisa, sempre podia voltar à mesa e pegar um outro pão de queijo, um sonho, um copo de suco, mas um cafezinho preto… Mas outros preferiram conversar curtindo o sol à beira da piscina. O Almir primeiro avisou a gente de que teríamos de estar com todos os nossos pertences fora do quarto até o meio dia. Depois o Jairo foi até a recepção, jogou o charme dele em cima da recepcionista, e conseguiu que o prazo fosse estendido até às 14h… Mas, a essas alturas, eu, “caxias” como sempre, já tinha colocado todas as minhas coisas no carro…

Antes do almoço tiramos uma foto geral perto das mangueiras. Para que saísse todo mundo tivemos de nos posicionar em filas: os mais altos atrás, os de tamanho menor na frente, e um bando de nós agachados (quase que escrevi com x). Agachar até que não foi difícil. Mas depois de várias fotos, tiradas com os telefones de meio mundo, o duro foi levantar. Foi preciso que vários colegas funcionassem meio como guinchos, levantando os colegas acocorados… Ficar velho, por mais que tentem nos convencer do contrário, não é fácil. Eu era um dos agachados. Por isso, acabei não tirando uma foto. Espero que quem tirou as poste rapidamente na página:

https://facebook.com/institutojmc/

Depois, o almoço final, com lembretes, e tudo. E daí começaram as despedidas. Eu saí meio de soslaio, só me despedindo dos que estavam à mesa comigo: o Elizeu, a Marly, a Elke, o Gordurinha e a Dayse. Tinha prometido uma carona para o Javan Ozias Laurindo (até a Rodoviária de Campinas) e o Paulo Cosiuc (até o apartamento dele, em Campinas) e eles já estavam prontos para ir há algum tempo – eu inzonei um pouco para ir almoçar e acabei me atrasando.

Chegando aqui em casa, em Salto, estava sozinho. Minha mulher, Paloma, estava voltando de Natal, onde havia ido dar uma palestra, e, na volta, ia ficar em nosso apartamento em São Paulo, porque amanhã, terça-feira, tem aula na USP, onde está fazendo o doutorado. Aqui fiquei remexendo nos meus guardados do JMC, vendo fotos, lendo coisa que fazia tempo eu não lia. Chamou-me a atenção as folhas datilografadas com os dados de uma campanha financeira que o JMC fez no segundo semestre de 1963, meu último ano lá. Eu nem me lembrava, mas fui capitão do time de arrecadação dos alunos (havia um capitão dos professores, que era o Rev. Olson Pemberton, um do pessoal externo, e o “general” dos capitães, que era o Renatinho. Fiquei admirado com quanto consegui arrecadar. Fui até o Rio de Janeiro, visitei várias igrejas lá, preguei na Igreja Presbiteriana de Ramos, onde era pastor o Rev. Domício Pereira de Mattos, que havia sido colega de meu pai no Seminário, visitei várias cidades do interior de São Paulo e do Sul de Minas, rodei a capital de São Paulo, e acabamos por arrecadar basicamente a mesma coisa que o time dos professores arrecadou. Não me lembrava desse episódio. Mas ao reler os relatórios, e ver que os capitães podiam descontar as despesas de viagem do montante arrecadado, lembrei-me de que, ao ir ao Rio, e era a primeira vez que o fazia, não pude deixar de dar uma volta pela Praia de Copacabana – onde tomei o refrigerante de uva Grapete pela primeira vez. Gostei tanto que tomei dois (as garrafinhas eram pequeninas, tipo caçula).

Li alguns relatórios do Rev. Harper e da Dona Evelyna, escritos em Inglês, para a Missão, li alguns números de O Idealista, a newsletter do Jota, e fiquei naquele estado de espírito de quem está tentando estender ao máximo a experiência de estar junto de colegas tão queridos e que, infelizmente, vemos tão pouco… Eu sei que quando a gente está acima dos 60 é difícil adquirir novos hábitos, em especial hábitos relacionados com a tecnologia. Mas se fizéssemos um esforço de nos comunicar, entre os encontros, pelo Facebook, a gente poderia ir adiantando os papos que seriam retomados em contexto presencial, durante o encontro. Apesar dos dois dias, houve gente com quem conversei, face-a-face, muito pouco. Houve outros com quem conversei mas de quem não consegui extrair informações que gostaria de ter.

Peço à Jacira e ao Almir para me enviar, se possível, a lista com os nomes dos participantes e, se possível, os anos em que eles estudaram no JMC, para que todos saibamos exatamente quem estava lá, acompanhado de quem (o Ronan levou a família inteira, até as netas), quais eram os Manuelinos Honorários que estavam lá, por quem eles foram convidados pela primeira vez…

Já me comuniquei, de ontem para hoje, com a mulher do Otoniel Marinho de Oliveira, de Fernandópolis, cujo nome é Dirce Machado de Oliveira, que me garantiu que vai fazer de tudo para leva-lo no próximo encontro. Ela é irmã de um grande amigo meu, Dioraci Machado, presbítero da Primeira Igreja Independente de São Paulo, e agora em processo de implantar uma IPI em São Carlos. Eles me informaram que um irmão dos dois, Domingos Vieira Machado, apelidado Branco, estudou lá também, acho que por um ano. Alguém conheceu ou se lembra dele? Quem sabe ele vem também no próximo encontro. E quem sabe o Tonhé traz o filho (Otoniel Marinho de Oliveira Jr), que é pastor, acho que em Guararema, para abrilhantar os trabalhos, e, junto com a mãe, ganhar o título de Manuelino Honorário.

O tempo é curto – e para quem tem a nossa idade, mais curto ainda. Acabei de saber de uma prima de minha mulher, Yara Le Du, de minha idade, filha do Rev. Jacques d’Ávila, da Igreja Metodista, que alguns podem ter conhecido, foi internada para uma operação que não deveria ser complicada, mas contraiu uma infecção, no corte, que se generalizou e ela acabou morrendo esta madrugada. Em poucos dias foi, de uma pessoa que estava mais ou menos bem, para alguém que apenas vive em nossa memória. Precisamos aproveitar bem os dias que nos restam – e é bom fazê-lo entre amigos de muito tempo… Carpe Diem.

Em Salto, 25 de Setembro de 2017

O Segundo Dia do Encontro: 23/9/2017

O segundo dia do encontro começou preguiçoso, com os participantes aparecendo para o café entre 7 e 10h da manhã. Alguns tiveram de ser literalmente tirados da cama, porque ficaram proseando até tarde no dia anterior… Muita gente, para aproveitar a ocasião, esticou o café o quanto deu, ficando mais de duas horas a tomar suco, yogurte, café com leite, comer pão de queijo, sonho, e outros quitutes…

Às 10h30, por aí, foi mostrado um filme (tipo slides animados e com fundo musical) mostrando fotos de diversas épocas no JMC. Quase todos os ex-alunos presentes apareceram em algum momento — muito mais jovens, magros, elegantes, como, infelizmente, é de esperar. A Jacira Costa me prometeu dar uma cópia para eu postar por aqui.

Depois, almoço, seguido, para alguns, de uma horinha se descanso.

À tarde, papo em volta da piscina, fotos, etc. Por volta das 17 o Coral (i.e., aqueles dispostos a cantar em um coral improvisado) saíram para ensaiar. Disponibilizei na página no Facebook dois vídeos do pessoal cantando à noite.

Depois do jantar, tivemos, à noite, um culto simples, do qual fez parte integrante uma Santa Ceia. Ao final, os Manuelinos Honorários presentes no Encontro receberam seus certificados.

Se não estou muito inspirado neste relato, é porque já chega perto de 1h30 de amanhã, último dia do encontro, e eu estou com muito sono.

Até depois, então.

Não deixem de visitar a página do JMC no Facebook, no endereço:

https://www.facebook.com/institutojmc/

Há quase 400 fotos lá — embora muitas sejam quase idênticas umas às outras, por causa de minha mania de tirar 2 ou 3 do mesmo cenário ou da mesma pessoa, para garantir que pelo menos uma saia boa..

Em Campinas, 23 de Setembro de 2017

 

O “Aquém” e o “Além” da Comissão da Verdade: A Propósito do Livro de Eliézer Rizzo de Oliveira

[Como o Eliézer Rizzo de Oliveira, colega nosso do JMC, e autor do livro em questão, fez referência hoje (23/9/2017) cedo à resenha que escrevi do livro dele, publicada inicialmente em meu outro blog, Liberal Space, em https://liberal.space/2016/02/18/o-aquem-e-o-alem-da-comissao-da-verdade-a-proposito-do-livro-de-eliezer-rizzo-de-oliveira/, tomo a liberdade de transcrevê-lo aqui neste blog também, para facilitar o acesso dos colegas interessados no assunto. EC]

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Eliézer Rizzo de Oliveira, meu querido amigo e colega faz 53 anos, fez a gentileza de me enviar uma cópia de seu mais recente livro: Além da Anistia, Aquém da Verdade: O Percurso da Comissão Nacional da Verdade  (Editora Prismas, Curitiba, 2015, 347pp.). Não terminei de lê-lo ainda, mas li toda a parte inicial, a conclusão, e vários pedaços no meio, passando os olhos sobre tudo. Não posso deixar de fazer uma resenha, ainda que breve.

O título, para os leitores atentos, já descreve a principal tese do livro. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) cometeu dois pecados graves. De um lado, foi além de seu mandado, tentando constranger a nação a rever a Lei da Anistia e punir os culpados de crimes cometidos especialmente durante a Ditadura Militar. De outro lado, ficou aquém de seu mandado, só investigando os crimes de um dos dois lados em conflito durante a ditadura (os militares), optando por não investigar os crimes do outro lado (aqueles que pegaram em armas e recorreram ao terrorismo para supostamente combater a ditadura, ou seja, a esquerda mais radical).

Fazendo isso, e (erroneamente) atribuindo a essa esquerda mais radical o principal mérito pelo término da ditadura, a CNV omitiu o importante papel daqueles que realmente a combateram, mas sem recorrer à violência: os amantes da liberdade que reconhecem que ela, a liberdade, é fruto de um estado que respeita os direitos dos indivíduos. Foram esses, hoje raramente cultuados, que criaram as condições para o fim da ditadura. Não aqueles que hoje reivindicam esse mérito e que só desejavam substituir um tipo de ditadura, a “de direita”, alinhada com os Estados Unidos, por outro, quiçá pior, a “de esquerda”, comunista, alinhada com a União Soviética.

A CNV foi criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, pela Lei Nº 12.528, de 18 de Novembro de 2011. Seu artigo primeiro lhe fixa o escopo:

“Art. 1o. É criada, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, a Comissão Nacional da Verdade, com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional.” [Ênfase acrescentada].

(Vide www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12528.htm)

O art. 8o  do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias que está no final da Constituição Federal afirma :

Art. 8º. É concedida anistia aos que, no período de 18 de setembro de 1946 até a data da promulgação da Constituição, foram atingidos, em decorrência de motivação exclusivamente política, por atos de exceção, institucionais ou complementares, aos que foram abrangidos pelo Decreto Legislativo nº 18, de 15 de dezembro de 1961, e aos atingidos pelo Decreto-Lei nº 864, de 12 de setembro de 1969, asseguradas as promoções, na inatividade, ao cargo, emprego, posto ou graduação a que teriam direito se estivessem em serviço ativo, obedecidos os prazos de permanência em atividade previstos nas leis e regulamentos vigentes, respeitadas as características e peculiaridades das carreiras dos servidores públicos civis e militares e observados os respectivos regimes jurídicos”. [Ênfase acrescentada].

(Vide www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm – adctart8 e
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm).

A Constituição Federal foi promulgada em 5 de Outubro de 1988. Assim o período coberto pelo mandado da CNV foi de 18 de Setembro de 1946 até 5 de Outubro de 1988 – um período de um pouco mais de 42 anos. A CNV basicamente ignorou os primeiros dezoito anos desse período.

A finalidade e o escopo da CNV, portanto, foi definido como “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período” de 18 de Setembro de 1946 até 5 de Outubro de 1988.

Indicados os membros da CNV, mas antes mesmo de ser instalada a comissão, vários dos seus membros já manifestavam a opinião de que, contrário ao que especificava o seu mandado, ela deveria “examinar e esclarecer” apenas as violações de direitos humanos praticados por agentes do Governo – vale dizer, pelos militares. Como essa orientação foi seguida, uma vez instalada a comissão, por representar o ponto de vista da maioria de seus membros, está aqui o sentido em que o trabalho da CNV ficou “aquém” do seu mandado: não procurou “examinar e esclarecer” as violações de direitos humanos praticadas pelos que resistiram a mão armada a Ditadura de 1964 (como assinalei, crimes e violências anteriores a 1964 foram basicamente ignorados, independentemente de quem os tivesse cometido).

Ao longo dos trabalhos da CNV ficou evidente que vários dos seus membros desejavam ir além do mandado de “examinar e esclarecer”, pois propunham que fosse suspensa ou revista a Lei da Anistia para que os investigados pudessem ser indiciados e, em última instância, punidos. Essa orientação foi seguida, uma vez instalada a comissão, por representar o ponto de vista da maioria de seus membros. Está aqui, portanto, o sentido em que o trabalho da CNV foi “além” do seu mandado: ela buscou a suspensão ou revisão da Lei da Anistia e o indiciamento e eventual punição dos culpados de violações de direitos humanos.

São principalmente esses dois fatos que o livro de Eliézer Rizzo corajosamente denuncia. Como diz Manoel Domingues Neto na Apresentação, este é “um livro escrito por um homem desassombrado e preparado”, “que assume posição com todas as letras, sem tremelicar” (p.23).

Na verdade, Eliézer deixa sua posição cristalinamente clara já no Prefácio. Ali se esclarece que, em seu percurso, de 2012 a 2014, a CNV conscientemente optou por dividir em dois o enfoque da violência política, “como se a investigação das ações repressivas do regime militar implicasse deixar de lado a pesquisa da luta armada das organizações de esquerda” (p.13 – ênfases acrescentadas; infelizmente as páginas 1 a 22 do livro não estão numeradas).

Eliézer esclarece seus compromissos morais que operam como pressupostos do livro que escreve (p.13):

  1. Compromisso com a democracia, o respeito aos direitos humanos e a realização da política com meios pacíficos;
  2. O repúdio à tortura e aos assassinatos políticos, independentemente das motivações e filiações ideológicas de torturadores e assassinos.

Como se diz, curto e grosso.

Com base nesses compromissos e pressupostos, Eliézer lamenta que “figuras magnas da resistência democrática ao regime militar sejam hoje pouco celebradas pela sociedade de consumo e pelo sistema político, enquanto ícones da luta armada figuram equivocadamente como construtores da democracia” (pp.13-14).

A CNV foi denominada “Comissão da Verdade”. A maior parte das vezes, especialmente em se tratando de assuntos complexos e controvertidos, a verdade não é evidente e manifesta, não vem com rótulo afixado (como bem disse Karl Popper em vários de seus livros e artigos, permito-me acrescentar a referência). A verdade precisa ser buscada, pesquisada, construída de forma cuidadosa, metódica e rigorosa. Em se tratando de questões políticas, especialmente, é forçoso reconhecer que (nas palavras agora novamente de Eliézer) “os sujeitos inserem-se de maneira diferente na sociedade, seus interesses e perspectivas não são os mesmos” (p.14). Por isso, na busca da verdade, se essa busca é sincera e honesta, não é admissível optar por não investigar um lado da questão. Só se chegará à verdade (se é que se vai chegar lá) através de um cotejo aberto, franco, e honesto das diferentes narrativas, dos diferentes pontos de vista, dos diversos e conflitantes interesses. Caso contrário só chegará a uma “meia verdade”, uma “verdade parcial”, não à verdade que se procurava.

Como diz Eliézer, “diante de um processo de magnitude societária, quanto mais restrito o âmbito de investigação da verdade, menos verdade se encontrará” (p.14). Quem tem o poder de decidir o que vai ser investigado acaba optando por privilegiar e realçar o seu ponto de vista, vale dizer, a vista do seu ponto, a sua perspectiva, os seus interesses. Os que não têm o poder de decidir o que vai ser investigado têm a sua voz, os seus pontos de vista, a vista do seu ponto, a sua perspectiva, os seus interesses, silenciados.

Diz Eliézer:

“Resulta que, ao escolher as vítimas ‘de um lado’ a CNV decretou ao esquecimento as vítimas ‘do outro lado’, como fossem um nada. Ou seja, mais de cem vítimas das organizações revolucionárias comunistas não mereceram a atenção da CNV, suas verdades não foram reveladas.” (p.15)

O objetivo real da CNV tinha quatro focos – todos eles nocivos ao regime democrático:

  1. Investigar apenas a “violência estatal”, omitindo a investigação da “violência revolucionária de orientação marxista” (p.15);
  2. Refundar o Estado de Direito”, no pressuposto de que a “refundação” da década de 80, que beneficiou terroristas e militares, não punindo nem uns nem outros, foi inválida, porque os “agentes do governo” deveriam ter sido punidos (p.15);
  3. Decretar o Fim da Anistia (p.15);
  4. Implantar uma Justiça de Transição para punir aqueles que fossem considerados culpados (p.15).

Foi isso que aconteceu com a CNV: “A CNV serviu ao poder que a criou” (p.14). Ela se sobrepôs à lei que a criou, “de modo a substituir a investigação ampla pela investigação restrita” (p.15). Recorreu a argumentos pífios para fazer isso, alegando que não haveria tempo suficiente para investigar os dois lados, ou invocando precedentes de outros países em que comissões semelhantes só investigaram as ações do governo e de seus agentes – ou, então, pretendendo que “quem pegou em armas contra a ditadura [já] foi punido” (p.15) – como se não tivéssemos hoje vários desses nos mais altos escalões do atual governo, embora outros atualmente na cadeia, mas não pelos crimes supostamente políticos de então, mas, sim, por crimes muito menos nobres, como roubar o povo para se perpetuar no poder. (Na última frase, depois do travessão, falo por mim).

Note-se bem: “A CNV serviu ao poder que a criou” (p.14). Alinharam-se com ela, dando-lhe suporte político, “diversos atores sociais e organismos públicos com o propósito de construir uma Frente Popular em torno do projeto de poder e de plataformas sociais e políticas do Partido dos Trabalhadores. O Fim da Anistia (ou a mudança de sua aplicação) e o aprofundamento da Justiça de Transição (punição dos repressores) são as colunas de sustentação de tal frente política” (pp.17-18). [Ênfase acrescentada].

Contra isso, Eliézer propõe essencialmente o seguinte (a proposta sendo detalhada na Conclusão):

  • A manutenção da Anistia sem nenhum titubeio, “em reconhecimento à sua importância para a construção do nosso regime democrático” (pp.18;311-315);
  • A construção de toda a verdade histórica e a abertura de todos os arquivos públicos e privados, o que exigirá uma [nova] comissão para trazer à luz os delitos políticos que a CNV deixou de lado” (pp.18,311-315);
  • Um sério esforço político de promoção da “reconciliação nacional”, objetivo que estava entre as finalidades da CNV, mas que esta lastimavelmente negligenciou, ao tomar partido de um dos lados da questão, contra o outro (pp.311-315).

Gostaria de publicamente dar meus parabéns ao Eliézer por seu livro. Já era tempo de que alguém, bem informado e destemido (“dessassombrado”, nas palavras do Apresentador), colocasse os pingos nos i’s acerca da CNV. O Eliézer os colocou: nos i’s e nos j’s. O Brasil lhe fica devedor pelo que você corajosamente fez.

Trata-se de um livro que merece ser lido – mas é mais do que isso: que precisa ser lido por tantos quantos estão a combater o bom combate de não permitir que o Brasil volte a ser uma ditadura – só que, desta vez, uma ditadura vermelha, comunista, bolivariana – conduzida, além do mais, por ladrões e incompetentes. Deus permita que ela não venha, porque, se vier, será bem pior do que a de 1964.

Publicado originalmente em Salto, 18 de Fevereiro de 2016; transcrito aqui em Campinas, 23 de Setembro de 2017.

Sexto Encontro Prolongado dos Manoelinos: 21-23/Set/2018 !

Ficou deliberado na reunião realizada hoje de manhã que o próximo encontro dos ex-alunos do JMC, bem como Manoelinos Honorários e os agregados ou aderentes (cônjuges ou parceiros, filhos, netos, bisnetos, amigos) será realizado nos dias 21-23 SET 2018.

ANOTE E RESERVE A DATA.

O local será anunciado oportunamente.

Diante do fato de que o Almir e a Jacira pediram para não estarem envolvidos na organização do evento do ano que vem, em virtude de compromissos particulares assumidos, ficou resolvido que a Comissão Organizadora conta, desde já, com os seguintes membros:

Jairo Brasil
Elizeu Cremm
Elke Cremm
Eduardo Chaves

Minha função será a comunicação com vocês, em especial pela Internet: e-mail, este blog, e a página do JMC no Facebook.

Para que ninguém se esqueça, são estes os dados:

E-mail:
eduardo.chaves@jmc.org.br
oscar@jmc.org.br

Blog:
jmc.org.br

Página no Facebook:
facebook.com/institutojmc

WhatsApp:
+55 (11) 97984-0000

Telefone Voz:
+55 (11) 97984-0000

Comecem a preparar-se.

Em Campinas, 23 de Setembro de 2017

 

 

 

 

Lista dos Formandos de 1963 no JMC

Formaram-se, naquela ocasião, no Segundo Ciclo do Curso Secundário (Curso Colegial Clássico):

Airton Neves Ormond
Assir Pereira
Celso Martins
Cilas Gonçalves
Deoclécio Silveira do Amaral
Eduardo Oscar de Campos Chaves *
Hamilton Felix de Souza
Hélio de Castro e Souza
Ireno Dias Ribeiro *
Maria Helena Pires
Natanael Florenço do Amaral
Octávio Stradioto
Otoniel Marinho de Oliveira
Robert Nicholas Lodwick

Formaram-se pelo Primeiro Ciclo do Curso Secundário (Curso Ginasial):

Benedito Barbosa de Souza
Carmelino Souza e Silva
Eunice Rodrigues de Sá
Getúlio Rosa da Guia *
Hilze Schneider
Irma Chaves Eguez
Isauro Batista Carriel *
João Rhonaldo de Andrade *
Judith Augusta dos Santos
Lindolfo Teixeira *
Maria Altina Felix da Silva
Mário de Oliveira Mello
Nivalda Barbosa Franco
Paulo Cosiuc *
Renée Myriam de Camargo
Ronan Pereira da Silva *
Rubens Faria
Sueli Barbosa Cavalcanti
Vera Lúcia Felício Papa
Vera Lúcio Monteiro Saldanha

(*) Presentes no Encontro de Campinas, de 22 a 24 de Setembro de 2017

Em Campinas, 23 de Setembro de 2017

Fotos do Primeiro Dia (22/9/2017)

Eis o link para os fotos do Primeiro Dia, 22-9-2017:

Posted by Instituto "José Manuel da Conceição” on Saturday, September 23, 2017

Em Campinas, 23 de Setembro de 2017

O Primeiro Dia do Encontro: 22/9/2017

ENCONTRO DOS MANUELINOS EM CAMPINAS… 22-9-2017
 
E foi a tarde e a noite do primeiro dia…
 
Bom, o Quinto Encontro Estendido (3 dias) dos Manuelinos está ocorrendo a pleno vapor em Campinas, no Hotel Golden Park Viracopos — que fica exatamente no ponto em que as Rodovias Bandeirantes e Santos Dumont se encontram. (Para quem vem de São Paulo, pela Bandeirantes, é necessário pegar a Santos Dumont na direção de Viracopos / Indaiatuba / Salto / Itu / Sorocaba e imediatamente sair à direita, na primeira saída, onde se pode ver um Posto de Gasolina. Dali há placas para o Hotel, que fica a 1 km. Por incrível que pareça, dentro do hotel não se houve o tráfego intenso que passa fora. Os quartos são extremamente confortáveis e a comida boa.
 
Cheguei ontem, 22-9, sexta-feira, por volta das 11h30, apesar de o checkin ser a partir das 14h. Havia combinado com o Almir e a Jacira, que foram os organizadores deste evento (como dos anteriores), vindos lá de perto de Belo Horizonte, bater um papinho antes de ter muita gente. Eles haviam chegado no dia anterior 21-9, quinta-feira — como também o fizeram o Coutinho e a Márcia, vindos lá de Santa Catarina… Além dos quatro já estavam no hotel o Ireno, vindo de Cuiabá, o Javan, vindo de Passa Quatro, o Jairo Brasil e a muher… (não me lembro de onde o Jairo e a mulher moram; só sei que estavam acabando de chegar de viagem do exterior.) Logo em seguida chegaram o Elizeu, a Marly e a Elke, filha deles. Ficamos batendo papo, tomando cerveja e beliscando salgadinhos debaixo de uma mangueira bonita, relembrando os bons tempos… Depois foi chegando mais gente (o Emílio, vindo do Rio de Janeiro, o Tonhão, o Lindolfo, etc.), mas esses foram os primeiros.
 
Almoçamos no restaurante do hotel — almoço cobrado à parte, porque nosso pacote previa chegada às 14h de sexta e saída por volta da mesma hora no domingo. R$ 43 por pessoa, depois de alguma negociação… Todo mundo achou meio carinho, mas a fome era maior do que o apego ao dinheirinho…
 
Depois das 14h começou chegar bastante mais gente: O Pemberton com a mulher, o Leci, o Ronan (vindo de Pouso Alegre, MG), com a família inteira (inclusive três filhos e netos – fiquei gamado na Heloísa, netinha dele, de um aninho de idade, quase dois), o Patrocínio, o Paulão Cosiuc, apesar de fraquinho com a doença, o João Rhonaldo e a Sueli, mulher dele, a Isva Xavier (já me dando uma bronca por que não tenho ido com frequência à Catedral, igreja de que ambos somos membros), etc. Mais tarde chegaram a Anne-Marie, vinda do Paraná, a Nancy, que foi diretora das moças em 1963 e, parece, 1964, o Isauro e família, etc. Sei que estou deixando gente de fora, mas à medida que olhar as fotos e identificar as pessoas, algumas dos quais não conheço (gente que não me foi contemporânea, “aderentes” (cônjuges, filhos, netos, amigos, etc.).
 
Uma coisa fantástica que o Almir e a Jacira inventaram foi o conceito de “Manuelino Honorário” (não é bem esse o nome que eles usam, mas o conceito é esse). Para quem vem aos encontros sem ter sido manuelino, eles bolaram um certificado “manueliza” a pessoa para fins de participação na “confraria”… Até crianças são assim honorarizados. É muito bacana, por uma razão que o Almir, o Elizeu e eu discutimos um pouco e que passo a discutir – passando essa ideia a ser o tema principal deste primeiro relato.
 
É, de qualquer ângulo que se olhe a questão, algo perto de um milagre que, quase 90 anos depois da fundação do JMC, em 1928, e quase 50 anos depois de seu fechamento, no final de 1970, ainda seja possível reunir quase 50 manuelinos (e mais uns 20 aderentes) em um encontro para o qual alguns viajaram basicamente um dia inteiro…
 
Ou vejamos.
 
Quando o colégio fechou, em 1970, a média de idade dos alunos, imagino, deveria ser algo entre 15 e 25 anos. Como já faz quase 50 anos (para arrendondar: 47, na verdade), o ex-aluno MAIS NOVO do JMC tem por volta de 65 a 75 anos de idade. Juntar quase 50 pessoas com idade começando nessa faixa não é fácil… Mas estamos aqui. Contando o Pemberton, ex-diretor na época em que eu estudei, que acabou de fazer 96 anos, havia gente com mais de 80, havia o que me pareceu ser uma maioria na casa dos 70 (como eu), e a “criançada” de menos de 70, mas certamente acima de 60. Nenhum de nós tem problema em dizer a idade — embora seja desnecessário, porque a gente sabe, com uma aproximação muito boa…
 
Quando criamos a Associação de Alumni e Alumnae do Instituto José Manuel da Conceição, no fim dos anos 1980 ou começo dos anos 1990, por instigação do Takasi Simizu, a ideia era congregar os ex-alunos esparsos por esse Brasil afora. Por volta de 1995, quando a Web chegou ao Brasil, criei um site para a Associação, publicamos uma newsletter, agitamos bastante. Alguns, mais ousados, queriam recriar o JMC e começaram até examinar a questão se era possível “des-desapropriar” o campus que havia sido desapropriado pela Prefeitura de Jandira, numa história muitíssimo mal-contada que até hoje, quem conhece, não abre a boca pra contar como foi nem sob ameaça de desterro para a Síria ou para a Tchetchênia. Aos poucos viu-se que recriar o JMC era uma utopia. Mas sempre ficou um certo mal-estar nostálgico, decorrente da certeza de que, se não fizermos nada, daqui a pouco os ex-alunos estarão todos mortos, e quem se lembrará do Jota?
 
Pensou-se em criar um Museu do JMC, talvez lá no local, em uma sala a ser cedida pela Câmara Municipal, mas não foi fácil levar adiante a ideia. O Emílio Eigenheer chamou a si a tarefa de coordenar algumas publicações, eu continuei a botar relatos e depoimentos no blog, foi feita uma mostra no Museu Presbiteriano em Campinas, não me lembro bem quando, mas a coisa ficou por aí.
 
Em um artigo que escrevi para um Dicionário de Instituições Educacionais Protestantes (ou seriam Presbiterianas), a ser publicado pelo Mackenzie (deve ser de Instituições Presbiterianas o escopo), e que não foi publicado ainda (embora tenha distribuído algumas cópias para amigos), estabeleci uma distinção entre o “corpo do JMC” (que infelizmente, está morto e enterrado, exceto pelas nossas carinhosas lembranças) e a “alma do JMC” que, a julgar por este encontro, o primeiro dos cinco de que eu posso participar, está muitíssimo viva e “serelepe” (à semelhança do Elizeu depois que começou a fazer pilates e conseguiu curar a dor no joelho dele). E as “tochas” que mantêm a alma viva, como uma luz que brilha, estão sendo ampliadas pelos manuelinos honorários. Se contarmos com o fato de que há algumas crianças com menos de dez anos presentes aqui, que são manuelinos de terceira geração, netos dos colegas que frequentaram a escola nas suas duas últimas décadas de vida, podemos contar com o fato de que, se trabalharmos bem, aumentando o número de honorários jovens, a “alma” do Jota estará preservada no mínimo por uns 50 anos mais…
 
Vamos pensar em como fazer isso?
 
Em Campinas, 23 de Setembro de 2017, de manhãzina, antes do café.
 
Eduardo CHAVES
 

Quinto Encontro Prolongado dos Manuelinos: 22-24/Set/2017, em Campinas

[Compartilho abaixo e-mail da Jacira Costa e do Almir Pereira Silva, Coordenadores do Evento, acrescentando algumas informações:]

QUINTO ENCONTRO DOS MANUELINOS

Queridos amigos e colegas manuelinos,

Está chegando o dia do nosso encontro [22/9 a 24/9 – ver abaixo – EC]. Estamos muito felizes com a inscrição de mais de 60 pessoas.

Cremos que teremos dias inesquecíveis e emocionantes pela oportunidade de reencontrarmos colegas que não vemos há anos. Certamente nos lembraremos de momentos vividos num período marcante das nossas vidas.

Para aqueles que não se inscreveram para estarem conosco informamos que ainda há vagas para hospedagem, uma vez que o Hotel Golden Park Viracopos tem capacidade para hospedar mais de 200 pessoas. Se você se animar, venha estar conosco.

Informamos agora a programação para os 3 dias que teremos juntos:

  • 22/09 (sexta feira) – chegada após as 14:00 – check-in – tarde livre para “bate-papos” informais. À noite teremos o jantar;
  • 23/09 (sábado) – após o café, por volta de 10:30 h teremos um vídeo em uma sala previamente preparada; à noite haverá uma celebração ecumênica e entrega de certificado de outorga a cônjuges, filhos e netos de manuelinos.
  • 24/09 (domingo) – após o café teremos momentos de cânticos no espaço da piscina e oportunidade para fotos do grupo. Após o almoço – despedidas e check-out.

Solicitamos àqueles que tocam algum instrumento, a fineza de levar para nos ajudar na cantoria.

O endereço é:

Hotel Golden Park
Rua Antônio Luchiari, 900
Distrito Industrial
Campinas -SP
Fone (19) 3725-1600.

[O hotel fica na junção da Rodovia dos Bandeirantes (que vai de São Paulo a Cordeirópolis, passando por Campinas, paralela à Anhanguera) e da Rodovia Santos Dumont (que vai de Campinas a Sorocaba, passando por Viracopos, Indaiatuba, Salto e Itu) – EC]

Em caso de alguma dúvida fineza se comunicar conosco pelos telefones:

(31) 99977-3584 [Jacira Costa]
(31) 99903-1338 [Almir Pereira Silva]

Chegaremos no Hotel já no dia 21/09 para recebermos nossos colegas no dia seguinte, 22/09.

Nós da Coordenação do Evento desejamos a todos um feliz encontro.

Grande abraço.

Jacira Costa Silva / Almir Pereira Silva
[Coordenadores do Evento]

EM São Paulo, 19 de Setembro de 2017