Os Fiuza Telles: Renato e Elza

[Para ser franco, tenho esse arquivo digitalizado há anos, talvez duas décadas, mas não sei de onde foi tirado. Se alguém o souber, por favor, me informe. Eduardo Chaves.]

RENATO FIUZA TELES

Renato Fiuza Teles nasceu na pequena cidade de Cesário Lange, em 30 de Junho de 1914, próximo a Tatuí. Órfão ainda com 14 anos, foi ajudado por um tio, Agenor Fiuza, que o encorajou o estudar no Paraná, no Instituto Cristão, com sua irmã Marta. O diretor era o Rev. James Wright, que o enviou para o “Instituto José Manuel da Conceição”, em Jandira SP, onde fez o primeiro grau, com distinção, obtendo o 1º lugar.

Seus pais foram Joaquim Fiuza Sobrinho e Fiorisa, ela falecida com 30 e poucos anos. Era diabética, também Renato o era. Do “Conceição”, Renato foi para o Seminário Teológico de Campinas, onde se formou como Ministro do Evangelho. Em Campinas, casou-se em 1941, 8 de Janeiro com a professora Maria Elza F. Fiuza Teles.

Dali foi ser pastor em Torre de Pedra, onde, em 20 de Novembro de 1941, nasceu seu primeiro filho Omar. Em 1943 nasceu Heloísa, sua primeira filha. Em 1947 nasceu Helena, sua segunda filha. De Torre de Pedra foi para Tietê, onde construiu o templo, muito bonito, por ele inaugurado. De lá foi para Osasco, onde pastoreou a Igreja de lá e Igrejas vizinhas em São Paulo: Vila Cachoeirinha e Vila Espanhola. Em Osasco terminou o seu pastoreado, com grande eficiência.

Paralelamente ao pastoreado, formou-se em Direito, também com distinção, na Faculdade de Osasco.

Convidado pelo Rev. Lodwick para estudar em Iowa, nos Estados Unidos, for para lá, tendo ficado um ano e obtido o seu Mestrado, com uma tese sobre a “Adolescência.”

No Seminário, fez uma tese sobre o Pecado.

Faleceu com quase 80 anos e está sepultado no Cemitério da Paz.

Diz Da. Elza (mulher do Rev. Renato) acerca dele:

Há quase três anos perdi o meu marido fiel. Com três filhos, dez netos e seis bisnetos, os dois últimos ele não conheceu. Nossa Vida foi muito feliz. Embora fôssemos muito diferentes em personalidades, nossos ideais eram comuns.

Viajamos bastante pelo Brasil e conhecemos quase todos os estados. Também viajamos para Europa, Israel e Grécia. Foram viagens muito bonitas e aprendemos muito em países ricos de tradição e beleza.

Com nossa família aprendemos a viver, com alegria. Nossos pais muito crentes, nos deram formação na fé de Jesus Cristo.

Meu pai era farmacêutico e presbítero; minha mãe era muito crente e de boa formação; era professora. Meus pais e avós eram mineiros, eu também, nascida na cidade de Gimirim (MG), sul de Minas.

PATRONO

SOLENIDADE DE ENTRONIZAÇÃO REÚNE FAMILIARES DE RENATO FIUZA TELES

Muita emoção envolveu a todos os presentes na cerimônia, que contou com o apoio da banda do 4º BIB e homenagem de alunos

ADRIANA SANTOS

A cerimônia de entronização do patrono da EEPSG Professor Renato Fiuza Teles, no Jardim Conceição, zona Sul de Osasco, aconteceu no último dia 3. A indicação do nome do professor foi um esforço da ex-delegada de ensino Edna Aparecida Gidugli Carneiro e da filha, a também professora Helena Fernandes Fiuza Teles.

Reivindicações de moradores, alunos e luta de associações de pais e mestres estão envolvidas. A EEPSG, que conta hoje com 1373 alunos do ciclo básico, foi inaugurada em abril de 1 995, e no mês de dezembro recebeu o nome de seu patrono.

Muita emoção. Esse foi o sentimento que esteve presente em toda cerimônia que reunia a esposa de Fiuza Teles , Elza Fernandes; os filhos – Heloísa, Omar e Helena; três netos e uma cunhada: a supervisora de ensino aposentada Zuleica Fernandes Santos, que atualmente mora em Joanópolis, interior de São Paulo. Representantes da Associação de Pais e Mestres, associações de bairro e professores e alunos estiveram presentes.

A sugestão do nome do professor como patrono foi uma indicação da ex-delegada de ensino da 1ª Delegacia  Osasco, a  atual supervisora de ensino Edna Aparecida Gidugli, também colega de trabalho do professor. Ela, junto com a filha dos Fiuza, a também supervisora de ensino Helena Fernandes, travou uma luta acirrada para que o nome de Renato batizasse o estabelecimento de ensino.

A cerimônia contou com a abertura musical feita pela banda do 4º Batalhão de Infantaria Blindada, que também finalizou o evento com um pot-pourri de música popular brasileira. Além disso, grupos musicais, formados por alunos de 1ª a 4ª séries cantaram: “Ao mestre  com carinho”, “Coração de estudante” e ”Oração pela família” .

“A cerimônia foi mais bonita do que eu esperava. Eu e toda a família ficamos muito emocionados”, afirmou Elza Fiuza Teles, viúva do patrono.

Num dos momentos mais tocantes, a filha Helena leu um discurso preparado em homenagem ao pai ( ver trechos no box ao lado). Discursaram também os titulares da primeira e segunda Delegacia de Ensino, respectivamente, João Batista Grosso e Regina Cemin, bem como a diretora da escola Nilda Webekin Montagnoli.

Após a cerimônia, houve exposição de fotos e documentos que mostram a luta dos moradores do bairro para conseguir a escola e cenas do período em que o prédio era construído.

Professor foi fundador de Igreja Presbiteriana

O professor Renato Fiuza Teles nasceu em Tatuí, interior de São Paulo. Fez o 2º grau no Instituto Cristão, no Paraná. Em São Paulo, cursou Pedagogia na Universidade de São Paulo, e bacharelado em Direito, pela Fundação Instituto de Ensino para Osasco (Fico). Estudou também Psicologia da Adolescência nos Estados Unidos.

Casou-se com a professora Elza Fiuza Teles, a quem conheceu numa igreja Presbiteriana da cidade de Campinas, durante os anos em que esteve no seminário. O casal veio para a região de Osasco a fim de lecionar no Instituto José Manuel da Conceição, em Jandira – uma entidade cristã ligada ao Mackenzie.

Lecionava História para o 2º grau do Mackenzie, em São Paulo. Em Osasco, foi professor em escolas estaduais no Rochdale, e diretor da Escola Estadual Vicente Peixoto, no jardim Bela Vista. Aposentou-se como supervisor de ensino, na 1ª Delegacia.

O professor exercia o ministério de pastor e fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil, localizada na rua Paulo Líccio  Rizzo, na região Central de Osasco. (AS)

ELZA FIUZA TELLES

“A CULTURA É IMPRESCENDÍVEL”

(Elza Fiuza Teles)

Nascida em Girimim, Sul do Estado de Minas Gerais, quando jovem a professora Elza Fiuza Teles seguiu o costume dirigido as moças da época: aprendeu piano e francês. Morou muito tempo em Campinas, onde estudou a maior parte de sua vida, e, posteriormente, casou-se com Renato Fiuza Teles, também professor, falecido há três anos. Cursou letras na Universidade de São Paulo (USP), optando pela continuidade do aprendizado da língua francesa. Começou a dar aulas em 1950, acumulando diversos locais de trabalho. Em Osasco, foi diretora de várias escolas osasquenses, dentre elas Ceneart, EEPSG Frei Gaspar da Madre de Deus (antigo Grupo Escolar Presidente Altino – Gepa). Mas uma das melhores lembranças fica por conta do período em que lecionou, junto ao marido, no já extinto Instituto José Manuel da Conceição, uma entidade de ensino ligada ao Mackenzie, localizada na cidade de Jandira.

Em sua residência, situada numa rua bastante tranqüila da cidade de Osasco, Elza atendeu a equipe de O Diário. Num curto bate-papo, ela comentou alguns aspectos de sua vida. Falou sobre os gostos por viagens, e dos lugares que conheceu, no Brasil e no exterior. Na Europa esteve duas vezes. A primeira, fazendo pós-graduação na Sorbonne, na França. E a segunda (comentada com emoção), junto ao marido Renato, quando conheceram diversos países, como Suíça, Alemanha, Grécia, Portugal e Espanha. A viagem finalizou-se com a visita a Israel, um marco para o casal de evangélicos.

O Diário – Por qual motivo a senhora optou pelo professorado?

Elza Fiuza Teles – Minha mãe e meu pai eram professores e meu avô era proprietário de um colégio, no Sul de Minas. Naquele tempo, há 45 anos, as mulheres estudavam apenas para serem professoras. Mas trabalhei muito tempo em escolas, e posso dizer que sempre gostei bastante.

OD – Sendo professora mãe e avó, como a senhora compara o lecionar de hoje com o de ontem?

ET – Eu penso que era mais difícil àquela época, já que as condições físicas de trabalho eram escassas. Faltavam escolas e salas de aula. Não havia lugares para se trabalhar. Muitas vezes, tínhamos que mudar para outras cidades, para podermos lecionar. Eu mesma morei em Viradouro e Amparo. Esse quadro só se alterou quando Jânio então governador do Estado de São Paulo, construiu diversos estabelecimentos de ensino. A partir daí, as coisas melhoraram, tanto para professores como para alunos.

OD – E com relação aos alunos?

ET – Ah, era mais fácil. Eles eram mais obedientes. Agora, é mais complicado. Vejo a dificuldades de minhas filhas, que lecionam para o primeiro grau. Eu sempre lecionei para colegial e acho muito simples. Dar aulas para os mais novos, ainda mais nos dias atuais, é uma aventura. Os alunos antigamente nos respeitavam. Mas a rebeldia de hoje é de certa maneira compreensível. Estamos em outra época, com outra cultura.

OD – Hoje, a tecnologia com televisores, computadores, Internet e tudo mais, auxiliam a Educação?

ET – Por um lado sim, já que se trata de uma maneira de desenvolver a habilidade e inteligência. Por outro lado, esse grande número de atrações, mais videogame e shopping center, conseguem prender a  atenção dos jovens. Meus próprios netos ficam horas diante da televisão. Antigamente, as pessoas ocupavam seu tempo lendo mais. Hoje, ninguém mais gosta. Eu própria li muito, desde criança – José de Alencar, Machado de Assis, Érico Veríssimo. Possuo a coleção completa de Jorge Amado, além de livros de escritores famosos, como Racine e Victor Hugo. Agora há pouco comprei um livro de  Fernando Henrique Cardoso. Mas o que leio no momento, e pela segunda vez, é Rayuela, do escritor espanhol Júlio Cortaza.

OD – O futuro dessa geração, no que se relaciona a aspectos culturais, a preocupa?

ET – A cultura é imprescindível, e conquistada através de muito estudo e leitura. Quando essa relação não existe  e o afastamento irrompe, as pessoas ficam mais vazias e sem assunto.

OD – Neste âmbito, que outros aspectos a atraem?

ET – Gosto muito de música. Os nossos compositores são muito bons. Aprecio música clássica e, inclusive, estudei piano durante muitos anos. Era tradição à época as moças aprenderem piano e francês. Meu primeiro piano foi comprado pelo meu pai, ainda quando eu era criança, na cidade de Campinas?

OD – Quais as diferenças, observadas pela senhora, entre a didática atual e de sua época?

ET – Não vejo muitas alterações  neste aspectos. O que mais mudou foram as escolas. Criaram-se inúmeras delas, e novos equipamentos foram incorporados. Hoje também há uma certa hierarquia a ser cumprida (inspetores, delegados), mas tudo prioriza a ordem e a organização.

OD – E quais as melhores lembranças?

ET – A amizade com os professores, o carinho e o companheirismo. Lembro com saudade dos professores Emir e Maria Tereza, ambos de português. Outro aspecto que tem me feito bastante feliz é a homenagem que estão tentando prestar ao meu marido. Seu nome é indicado para ser nome de escola. O Renato foi diretor de várias entidades de ensino, além de professor por muitos anos. Sempre se esforçou e merece essa homenagem, em que espero estar presente para conferir.

Transcrito aqui em São Paulo, 6 de Novembro de 2015

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