William Alfred Waddell (por Carlos Pizarro)

[Infelizmente há algumas falhas de transcrição / digitação neste texto. Vou procurar localizar o texto datilografado do qual a transcrição foi feita para saná-las. Eduardo Chaves.]

William Alfred Waddell (1862-1938):
Uma Vida a Serviço de um Povo

HOMENAGEM do INSTITUTO JOSÉ MANUEL DA CONCEIÇÃO

APRESENTAÇÃO

Anualmente o Instituto José Manuel da Conceição, seminário menor das Igrejas Presbiterianas do Brasil e Presbiteriana Independente do Brasil, celebra o “Dia do Conceição”, como gratidão a Deus por mais um ano de existência e oportunidades.

A Diretoria e a Congregação do Instituto acharam por bem dedicar esse tradicional dia, este ano, à memória do seu fundador, o Rev.Dr. William Alfred Waddell, por ocasião do centenário de seu nascimento.

Portanto, o Instituto JMC, no seu 35º ano de existência, agradece a Deus a vida de seu fundador, e primeiro Diretor, e oferece aos amigos e ex-alunos do Dr. Waddell, e do instituto JMC, este livreto.

O trabalho ora apresentado foi sugerido por Sr. Carlos Afonso Augusto Pizaro, bem como as pesquisas de sua composição. O Pizaro é natural de Governador Valadares, Minas Gerais, cursa atualmente o lll ano clássico no JMC. É candidato da igreja Presbiteriana Independente do Brasil ao Ministério Sagrado, e estuda no JMC desde 1957. Já foi Diretor-Gerente de O IDEALISTA, revista dos alunos Manuelinos, e desde 1961 vem trabalhando como repórter em diversos jornais da cidade de São Paulo, tais  como a FOLHA DE SÃO PAULO, A ULTIMA HORA, E O GLOBO.

Ao Sr. Pizaro e ao Rev.Joaquim A. Machado, vice-diretor do Instituto, que lhe representou a Diretoria na composição deste livrinho, os nossos agradecimentos. Desejamos, também, agradecer a cooperação Rev. Júlio Andrade Ferreira, magnífico reitor do seminário Presbiteriano de Campinas, pelo uso do museu desse, e a cooperação do Rev. Robert E. Lodwick, secretário executivo da missão Presbiteriana do Brasil Central, por nos facultar o uso dos arquivos da missão.

Rev. Olson Pembertom, Jr.
Diretor

Pudesse a natureza pressentir os grandes eventos, e por certo as flores de setembro, no dia 8, no ano de 1890 teriam irradiado uma alegria mais viva, teriam anunciado com expressão mais ardente e mais vibrante aos cidadãos paulistanos que o desenvolvimento já então impresso a seu tão promissor e querido Brasil estava para tomar um novo impulso. É que a esta data lançava-se em seus férteis campos espirituais uma semente nova que se haveria de desabrochar em tronco dos mais vigorosos.

Eram os germens do saber que prepara um povo para trilhar as rotas do progresso, e do cristianismo que alia ao saber o sentimento altruísta e ressalta no homens  as suas características divinas, lançados em solo brasileiro, latentes e ocultos, na figura vigorosa de um daqueles nossos bravos irmãos da outra América que se entregavam à evangelização do Brasil . Era William Alfred Waddell que aportava nas praias onde Anchieta e Nóbrega já se haviam esvaído na mesma missão  e no mesmo intuito.

Homens de raros talentos, chegava ao Brasil depois de haver graduado, com distinção, em engenharia e teologia na sua terra natal.

NOS EUA

Nascera a 5 de Fevereiro de 1862, na cidadezinha de Bethel, em Nova York, EUA. Em 1882 colara grau no Union College, na cidade de Schenectady, em N.Y., onde, desde o início de seus estudos havia conseguido conquistar os primeiros prêmios de aproveitamento. Sentindo-se chamado para o sagrado ministério, ingressou no seminário de Princeton em 1884, conseguindo abreviar para 2 anos o curso que normalmente deveria ser feito em 3, foi licenciado para o presbitério de Albany em abril de 1886.

Sua profissão de fé, ele a fizera perante o Rev. T. Darling e os irmãos da igreja Presbiteriana de Schenectady, no outono de 1881. Mais tarde, ele mesmo [falha de transcrição deixou o texto incompleto aqui].

Pastor licenciado, seu primeiro campo foi a Igreja Presbiteriana de São Pedro, na Califórnia, de que assumiu a presidência do Conselho em “caráter de experiência”, no ano de sua licenciatura. No dia 10 de abril de 1887, o Presbitério em Los Angeles consagrou-o definitivamente a Deus, ordenando-o na cidade de San Diego. Durante os anos de 1887 e meados de 1890, consagrou-se à Igreja de São Pedro. No fim desse ministério, seus olhos se voltaram para as ricas searas do Brasil, onde Simonton,Blackford, Chamberlain e tantos outros “valentes de David” – como insiste Júlio Andrade Ferreira em chamá-los, semeavam a mancheias.

A 19 de setembro, ingressava na missão Brasil Central, em São Paulo. A partir de então, se entregaria a um profícuo ministério – que também foi magistério, como veremos a seguir.

NO BRASIL

Inteligência rara, conhecimentos profundos e com uma didática quase perfeita, Waddell foi encaminhado para o então embrionário Mackenzie College.

Por volta de 1890, o Dr. Horácio Lane recentemente eleito diretor da Escola americana,sente-se na obrigação de introduzir os métodos de ensino superior americanos no Brasil, de vez que “as escolas do governo não podem fazer essas experiências com êxito”. ‘’O plano foi experimentado: iniciou-se a preparação de cursos preparatórios, cursos superiores literários, de ciência pura e de ciência aplicada ( que foi mais tarde denominado Curso de Engenharia)”. (F2)

Há cerca de 2 anos, uma comissão de educadores norte americanos havia visitado São Paulo e recomendado o “estabelecimento de cursos universitários, suplementares a Escola Americana”, razão por que foi constituída uma Junta de Síndicos  que tratou de pôr em pratica a sugestão. O então Conselheiro Rui Barbosa foi consultado e informou não  haver “de conformidade com as leis brasileiras,maneira pela qual a associação pudesse  ser incorporada , para regularizar o título de propriedades, e recomendou a organização da corporação nos Estado Unidos,com administração de seus bens no Brasil, por meio de um procurador”. (F2)

Assim foi que no dia 9 de fevereiro de 1893, a Universidade de Nova York incorporou, em caráter de experiência, o curso superior da Escola Americana, efetivando, porém, a incorporação no dia 21 de Novembro de 1895

Começava dessa forma desabrochar a poderosa instituição  educandária “que se ergue nos altos da Higienópolis”.

É em meio a esta fase de estruturação que aparece William Alfred Waddell. Seus conhecimentos de engenharia e sua estupenda noção de didática levaram-no a se transformar em um dos esteios da nova universidade. Participou da comissão que coordenou os cursos de engenharia, e foi um dos seus primeiros professores.Sobre sua capacidade, disse o Dr. Horácio Lane de certa feita, quando argüido de propósito: “É bastante inteligente, e capaz de dirigir todo o trabalho do Mackenzie,trabalhando só à noite, depois do jantar” (L)

Em Dezembro de 1891, um cidadão norte-americano, de nome J.T.Mackenzie, doou à escola a importância de 50 mil dólares, destinados à construção de um prédio próprio a seu funcionamento.

A obra foi confiada a Waddell. Idealizada a planta e iniciada a construção, foi lançada a pedra angular no dia 12 de Fevereiro de 1894.

A partir de então, a obra educacional assumiu tais  proporções, que o próprio Waddell chegou a escrever: ‘’’Ela é uma honra para o nome americano; e de qualquer ponto de vista que se consideram seus padrões, terá poucas rivais em qualquer parte.Dr. Lane tem introduzido a Bíblia na escola, em todo departamento; ela é uma parte ativa e valorosa da propaganda. O Colégio será de valor como desdobramento da presente situação.Todos os homens  no campo estarão mais ansiosos pelo crescimento do trabalho , além de escolas paroquiais.”

Em fins de 1893, no dia 2 de Novembro, sua esposa, foi levada para outra morada. Alma meiga, possuidora de relativa cultura, Mary Lenington Waddell, que herdara dos velhos pais um profundo sentimento cristão, foi sem dúvida um dos maiores estímulos para seu marido,apesar da pouca duração do matrimônio.

MISSIONÁRIO

Não obstante sua atuação anterior como professor, William Waddell viera ao Brasil atraído pelas missões.Seu sonho era evangelizar e, se bem que no magistério prestasse grande auxilio à obra dos missionários, a voz dos campos não deixou de soar em seu coração. Soou brandamente, a princípio:

Falou alto e clamou, mais tarde.

Em fins de 1896, empreendeu viagem à Bahia. As searas brancas prontas para a ceifa,que seus olhos ali puderam contemplar, fascinaram-no e lhe lançaram brados de desafio.

Naquele estado, Pinkerton,Finley e Kolb já haviam, em época ainda recente, realizado uma penetração relativamente profunda, deixando, como marcos de sua passagem , vários convertidos e, mesmo, diversos pontos de pregação.Por ocasião sua viagem,trabalhava os campos e Rev.Chamberlain,designado pelo Presbitério do Rio de Janeiro. Uma idéia da fecundidade do solo,o próprio Chamberlain a dá, nos relatórios que preparou para os sínodos de 1894 e 1897:

“Era meu propósito visitar este campo ( refere-se, aqui, ao Presbitério de São Paulo, onde havia visitado recentemente algumas igrejas), como há poucos, logo que passasse o tempo chuvoso.Porém, a morte do Rev.Pinkerton na cidade de Salvador, Bahia, em Fevereiro de 1892 e a retirada do Rev. Finley para o campo de Sergipe vieram transtornar meu plano e tornar necessário que eu acudisse às necessidades da Bahia e da Cachoeira, no Estado da Bahia. Aceitando pôr meses esta incumbência, e sendo pelo Presbitério do Rio de Janeiro, para o qual o transferi minhas relações presbiterianas, incumbido do trabalho pastoral das mesmas igrejas, segui em Junho de 1892 para a Bahia. Não me limitei a ministrar estas igrejas, mas atendendo à incumbência do Sínodo, procurei cumprir o ministério de evangelista em regiões além. Para esse fim ausentei-me  vários meses em longas viagens pelo interior da Bahia, deixando os presbíteros incumbidos dos cultos na cidade da Bahia ( Salvador), e um grupo de moços, crentes fervorosos, dos da igreja de Cachoeira. Estas viagens revelaram um estado de ânimo tão interessante dos habitantes do interior que, quando me achei aliviado do encargo da  pastoral nas ditas igrejas pela volta do Rev. J.B Kolb dos Estados Unidos da América, entreguei-me à obra de evangelização nas regiões do interior da Bahia, visitando as praças importantes acessíveis por estradas de ferro, estendendo, até onde me permitiram as forças, essas viagens de além. Em nenhuma cidade que visitei foi-me negado pela intendência o uso da sala do Juri, fato bem significante, da oportunidade que deve ser abraçada ardentemente por nós de subministrar a palavra enquanto é dia. A noite vem.”

Esse primeiro contato  missionário iria levar Waddell a abandonar temporariamente o Mackenzie.

Durante a visita, conheceu Laura Chamberlain, filha do velho missionário, que desde 1894, trabalhava na “City School”, em Salvador. Desposou-a no dia 12 de Janeiro de 1897, em Feira de Santana, trazendo-a para uma breve estada no Mackenzie College.

Em 1899, Waddell solicitou sua transferência para o campo da “Igreja da Bahia”, ( Salvador), passando a residir, então, na capital baiana.

Passou, assim, a arar aqueles campos em companhia do irmão e da. Laura, Rev.Pierce Chamberlain e de Diocleto Simões Ferreira, que fora, por alguma razão, excluído da Igreja e que Waddell achara por bem restaurar a comunhão. Daí por diante , as viagens de itinerância ao interior se intensificaram.

Nessa época, os missionários visitaram a cidadezinha  de São Felix, onde realizaram profícuo trabalho  de evangelização. Em 1900, William Waddell deu inicio ao templo da Igreja de Salvador. Os 4 próximos anos, ele os dedicou ao seu pastorado e a viagens de itinerância.

Em 1905, passou a residir em Cachoeira, onde d.Laura se consagrou ao magistério na “Girl’s School”.

Em um dos percursos de evangelização, sentiu-se “imensamente atraído pelo campo de Palmeiras”. Era uma vila pequenina, mas situava-se em local extremamente estratégico: no centro geográfico de uma região próspera, que poderia ser transformado mais tarde em centro intelectual e espiritual. Tentou  adquirir ali  uma gleba para a fundação de uma nova escola. A intolerância religiosa, no entanto ,levou os proprietários da região, a fecharem totalmente as portas para o se trabalho. Isto não o desanimou, porém. Voltou imediatamente os olhos ao vilarejo próximo de Ponte Nova. Ali em um recanto aprazível, às margens do rio Utinga, adquiriu o sítio com que sonhara e de início à “escolinha “ que iria transformar mais tarde no Colégio Ponte Nova. A fundação se deu no ano de 1906. Era outra obra fadada a se imortalizar no evangelismo pátrio.

Radicado em Ponte Nova, onde permaneceria até 1914, Waddell passou a se de dividir novamente entre o ministério e o magistério. Fazia ambos os trabalhos. Continuou a visitar  as igrejas próximas. Cachoeira, Palmares, Cabeças, Lavras, e inúmeras outras cidades passaram a constituir o seu campo. Foram anos de trabalho intensivo.

Por volta de 1913, idealizou uma expedição  missionária ao centro do país. Homem de grande visão, Waddell já sentia a necessidade de penetrar o interior brasileiro. Sabia o valor que representaria para a evangelização nacional o fato de, quando o progresso da nação principiasse a se interiorizar, já existirem Igrejas formadas nas regiões que seriam atingidas por tal progresso. Então, os conquistadores da terra haveriam de deparar-se com a mentalidade cristã, e, vencendo o meio, seriam vencidos pelo Espírito. A expedição partiu de Salvador .Chefiou-a o recém chegado Rev. Franklin Graham, que cumpriu extensa jornada, fincando , nos estados de Goías, de Mato Grosso, e mesmo, em regiões mais afastadas da Bahia, os marcos do cristianismo. Assim foi que quando o dinamismo de um presidente novo principiou a levar a civilização ao interior do Brasil, provocando um verdadeiro formigar de gentes e de recursos nos sertões goianos, lá estavam ,altaneiras e de braços estendidos, a imitar as seculares palavras do mestre quando clamava: ”Vinde a mim vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei…”,as igrejas de Planaltina, Rio Verde, e tentas outras resultantes das idéias e planificações do cérebro de Waddell.

A Igreja de Cuiabá se teria originado dessa excursão.

Falando sobre a larga visão de que era dotado Waddell, o Rev. Philip Landes diz:

“Foi ele quem deu o brado de RUMO AO OESTE. Previu que o progresso atingiria bem cedo todas as fronteiras do Brasil, e procurou abrir os olhos da missão a este aspecto. Tal propósito levou-me, a mim e a minha esposa, a trabalhar naqueles campos. Waddell era capaz de ver o futuro . Se tivesse de lhe colocar uma alcunha, chama-lo-ia o missionário estadista”.

Durante as lidas missionárias, pode sentir  sempre a presença de benévola de sua Segunda esposa, d. Laura. Mestra dedicada cristã de alma meiga, aprendeu ela bem cedo a sentir como sentiam os sertanejos e a viver como viviam. Essas qualidades, aliadas a “um desejo sem par, que a perseguira desde os tempos de escola, de ver o Brasil agigantar-se em um progresso fundamentalmente cristão”, levaram-na a se tornar obreira eficiente e estímulo para o esposo missionário. Por ocasião do pastorado de Cachoeira, já lecionara na “Girl’s School”. Depois, lecionou no colégio Ponte Nova, cooperando de maneira decisiva na evangelização do lugar. Sua habilidade no trato com o homem do campo foi uma das causas do sucesso da obra.

COLÉGIO

A escola de Ponte Nova foi fundada em face da ausência de um número suficiente de obreiros para a região. O plano de Waddell era preparar professores que, por sua vez, seriam usados na preparação de outros, desencadeando assim uma verdadeira onda de cultura e cristianismo naquelas terras sertanejas.

Iniciada a escola, adotou-se para os alunos o sistema de “self-help”, então em voga na América do Norte. Os estudantes pagavam apenas uma taxa anual de 50 mil réis, devendo as despesas excedentes disto serem cobertas por seu próprio trabalho.

No princípio, havia poucas e toscas construções, que se prestavam, ao mesmo tempo, para internato, salas de aulas, e residências de professores. A obra, no entanto, prosperou. Hoje, a escola conta com edifícios amplos e próprios para o funcionamento. Em 1927, I. Graham construi o “Pavilhão Waddell”.

Oito anos mais tarde ergueu-se o maior prédio escolar daquelas regiões: “ O Pavilhão Bixler”.

A nota, porém, que mais se distingue no colégio hoje, é o “Grace Memorial Hospital”, que ali se ergue um como refúgio para o sertanejo sofredor. Wood idealizou-o em 1916, e tornou realidade em bem poucos anos, com o concurso de Reese e outros incansáveis obreiros.

Sua escola normal foi oficializada em 1936 e, em 39, colou grau a sua primeira turma com diploma reconhecido pelo governo. Os progressos sucederam-se, uns após outros, ano após ano,

As grandes personalidades, que se formaram as margens de Utinga, espalham-se hoje por este Brasil a fora. São muitas. Difícil enumerá-las. Algumas porém, podem se citar. São apenas algumas das que compõem os grandes bandos de verdadeiras águias humanas que ali, nesse ninho humilde e singelo, foram geradas e criadas: Paulo Freire galgou os céus da política nacional; é hoje deputado federal  pelo Estado de Minas Gerais. Alexandrina Passos e Eulália Alcântara são mestras dedicadas e valorosas obreiras. Adauto e Othon Dourado são figuras das mais representativas no cenário presbiteriano do Brasil. Élson Castro é hoje o diretor da escola. E que dizer de outros…

SÃO PAULO OUTRA VEZ

No início de 1914,Waddell voltou a São Paulo. A 5 de Março, foi eleito presidente do Mackenzie College. O colégio, no entanto, principiava a se tornar impraticável a um de seus sonhos: a preparação especial do candidato ao Ministério. Uma nova escola começou a se gerar em sua mente fértil. A ocasião, porém não era propícia : antes de mais nada, precisava atender as necessidades do Mackenzie. Limitou-se a planejá-la, e preparar caminho para a sua  fundação.

No ano seguinte, organizou-se a federação das Escolas Evangélicas, de que passaram a fazer parte, todos “os institutos e colégios da Igreja”. Em 1927, deixou a presidência do Mackenzie e, a 1 de Julho do mesmo ano, foi eleito seu Presidente Emérito.

Doravante nada haveria, assim, que o impedisse de dar início à nova escola.

J.M.C. 

Havia poucos anos que um sítio fora adquirido pelo Mackenzie College, no Km 32 da Estrada de Ferro Sorocabana. Eram mais de 40 alqueires situados em um vale suave, entre pequeninas montanhas da Cordilheira do Mar. Embaixo, bem na confluência dos morros, estendia-se quilômetros  sem fim, o leito da Sorocabana. De uma de suas bandas, corria, em sentido contrário e com uma languidez mórbida, o riacho Jordão. Da outra um declive brusco e, pouco adiante, um brejo pequeno.

Foi ali que se dedicou a instalar o outro “ninho de águias”, construído habilmente, palha por palha, pelo estadista de Landres. Três casas rudes foram o ponto de partida. Outras, também rudes e humildes, seguí-las-iam com o correr dos anos.

Após os primeiros preparativos, foram iniciadas as aulas. Assim, “no dia 8  de Fevereiro de 1928, reuniram-se no salão nobre do acampamento do Mackenzie College,sito Km 32 da E.F.S., o Rev. Dr. William A. Waddell, Rev. e sra. C. R. Harper, Rev. Lenington, e os srs. Terêncio Vitorino, Eduardo Pereira de Magalhães e Tuffy Elias, para a abertura das aulas do curso universitário José Manuel da Conceição”. (J) Estes 3 últimos eram os primeiros alunos, os demais, os primeiros mestres.

Um breve histórico da vida do Rev. José Manuel da Conceição e da fundação da Escola Americana, e uma oração, proferidas por Waddell, momentos após o cântico do hino 26 dos Salmos e Hinos, selaram a breve cerimônia de fundação, e consagraram definitivamente a obra de Deus.

Nos anos que se seguiram, chegaram novas levas de alunos. João Euclydes Pereira e Francisco Alves foram das primeiras turmas. Vinham da província mineira, que mandaria mais tarde outros de seus nobres filhos. Hoje, um é o vice-presidente do Supremo concílio da Igreja Presbiteriana Independente; o outro é eminente teólogo e professor do seminário de Campinas. Da Bahia, dentre outros, vieram Adauto Dourado e José Dias, Eudes  Férrer  veio do Mato Grosso. Goiás, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul também mandaram estudantes ilustres. Quase todos os estados da Federação fizeram-se representar. São Paulo, por excelência. Daqui, foram mandados Aretino Matos, Daily França, Renato Teles, Fernando Buonaduce. Hoje, são todos professores e ministros dedicados; são esteios do evangelismo pátrio.

Atualmente, o J. M. C. consta com cerca de duas centenas de alunos. Seu diretor é Olson Pemberton,Jr, que, por muitos anos foi missionário no sul do país. Seus professores, na maioria ex-alunos são: Renato e Maria Elza Teles, Fernando Buonaduce, Jean Pemberton, João Euclydes Pereira, João e Queila Faustini, Joaquim e Yolanda Machado Josué e Samuel Xavier, Maria Block Cruz e Floyd Gilbert.

100 ANOS DEPOIS

Esta é, em resumo a história de William A. Waddell. Foi homem de coragem, cristão fervoroso e intelectual profundo: foi um dos “valentes de David”. Sua obra, viveu-a a serviço de um povo que não era o seu, em uma pátria que não era também a sua.

Hoje, passado já um século desde o seu nascimento em Bethel, nós alunos e professores desta casa de ensino,frutos de seu trabalho e do seu amor, erguemos a nossa fronte para os céus, prestamos-lhe homenagem devida aos Heróis verdadeiros, agradecendo a Deus  a sua vinda, e rogamos outros…

Transcrito aqui em 6 de Novembro de 2015.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s