Saudação de Charles Roy Harper Jr por ocasião do Aniversário de 80 Anos do JMC

NOTA: O Rev. Charles Roy Harper Jr é (como indica o nome) filho do Rev. Charles Roy Harper, que, com sua mulher, construíram o JMC criado pelo Rev. William Waddell.

Por ocasião da comemoração do octagésimo aniversário da fundação do JMC, no dia 9 de Fevereiro de 2008, na Catedral Evangélica da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, em São Paulo, o “Royzinho” fez a seguinte saudação.

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Saudação

por Charles Roy Harper Jr.

Na Comemoração: 80 anos da fundação do Instituto JMC – São Paulo 9 / 02 / 2008

Oitenta anos não é pouca coisa! Esta nossa saudação – da parte de Annabel Harper Swenson e de mim mesmo, filhos dos primeiros colegas missionários do Dr. William Waddell em 1928 – me faz imaginar como eram estes jovens pioneiros da pedagogia “manuelina”. O Rev. C. Roy Harper com os seus 33 anos, a D. Evelina, 29, veteranos já de dois anos da obra missionária na região de Rosário Oeste do Mato Grosso, testemunhas diretas do avanço das tropas do Luis Carlos Prestes.

A nossa mãe, D. Evelina, em meio do seu trabalho educativo, cuidou por um tempo em seu lar de uma jovem mulher alemã e sua filha, ainda bebê, do seu famoso amante rebelde. Durante dois anos os nossos pais testemunharam essa parte da historia e da sociedade brasileira – e em 1928 depois foram chamados para se lançar, ao lado de outros jovens professores – Henrique Maurer, Themudo Lessa, João Euclides Pereira, Livio Teixeira, Dario Bastos… numa experiência inédita de formação evangélica, bem além das fronteiras eclesiásticas e sociais daqueles tempos.

Assim nasceu o JMC.

Eram tempos – recordemos – da depressão econômica mundial, entre duas terríveis guerras mundiais, imigrações forçadas, preconceitos, racismos, a guerra fria entre duas ideologias…. o Brasil se arrancado da economia rural para se desenvolver em uma indústrial, intimamente ligada no princípio, como sabemos hoje, às negociações e interesses bélicos dos países aliados.

O “Jota” nasceu: somos tentados a adoçar e sentimentalizar a nossa memória coletiva e pessoal do Jota. Aquele vale, abaixo a vigília da Figueira dos Bandeirantes heróicos! Largos dias de trabalho, de convívio social, de crescimento desportivo e de madureza, das caravanas musicais, de noites de lua e de poesia cantada. Um paraíso! Certo, a memória seletiva favorece a imagem do “Jordão” fluindo através das terras férteis, uma nova Israel abundante em leite e em mel… protegido por Deus e pela comunidade de uma igreja forte e missionária!

E não foi assim, quando contamos agora aos nossos netos como foi aquele “paraíso”? Os netos e bisnetos da D. Evelina e do Dr. Harper – são 17 – vivendo seja em Califórnia, Colorado, em Londres, ou aqui no Rio de Janeiro, têm ouvido versões diversas desta aventura dos seus ancestrais.

Há hoje alguns entre nós que desejariam ressuscitar – digamos clonar – o Jota inteiro : criar mais outra instituição semelhante. Mas há outros para quem isto seria uma “Missão Impossível”! Certo, somos testemunhas esta manhã da força e da beleza do louvor a Deus através a música sagrada, um dom daqueles tempos bem desenvolvido depois pelo João Faustini. E estamos ademais muito agradecidos pelo fino trabalho para salvaguardar a memória escrita da instituição, coordenado pelo Emilio Eigenheer. Sem falar das felizes decisões tomadas pela Prefeitura de Jandira para fazer tombar e salvaguardar os prédios históricos do JMC para o bem estar de todos em Jandira.

Porém, as condições práticas pareceriam inexistentes para reproduzir o “Jota”. O contexto educativo nacional e eclesiástico estaria totalmente desenvolvido e transformado oitenta anos depois da sua fundaçao em 1928.

O mundo mudou em oitenta anos.

Parece-nos, entretanto, que o essencial da experiência “manuelina”, os profundos valores que aprendemos daquela nossa experiência – e que não se mede nem em termos institucionais nem materiais – é eminentemente relevante para responder aos desafios confrontando as novas gerações – nossas netas e nossos netos na igrejas e na sociedade, onde que estejam.

  1. O respeito do trabalho honesto – seja manual ou intelectual – sendo uma resposta contundente à corrupção do poder e do dinheiro tão evidente hoje em dia.
  1. A cooperação interdenominacional – até um profundo ecumenismo – vivido entre estudantes e entre líderes eclesiais – para acabar com o clima, hoje mais e mais evidente, das divisões e hostilidades entre extremismos religiosos, como também com a vergonhosa competitividade pelo poder de certas igrejas entre si.
  1. Um grande respeito pela natureza e uma evidente economia bio-ecológica, vivida e praticada coletivamente e diariamente no JMC: sendo este um motor de experiência nutrindo os esforços contemporâneos globais para combater a poluição e a irresponsabilidade política contamporânia frente às crises climáticas.
  1. A lúcida prática de igualdade de gênero e de origem social entre os estudantes manuelinos, sendo esta um anti-corpo ativo das injustiças sociais crescente no mundo de hoje.
  1. O respeito de uma sólida formação íntegra da pessoa, para todos, os preparando para viver e sobreviver – para servir e não para ser servidos, combatendo a ignorância a todos os níveis.

Lembramos e honramos aquelas e aqueles nossos mestres e colegas que fizeram que o espírito do Instituto de José Manuel da Conceição continue vivo.

Finalmente, agradecemos profundamente aos organizadores deste evento tão significativo por nos ter dado a oportunidade de estar juntos com vocês, celebrando e cantando os frutos do Espírito que nos anima e nos inspira.

Charles Roy Harper (Jr.)

São Paulo

9 de fevereiro de 2008

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Transcrito em Salto, 7 de Março de 2010

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4 thoughts on “Saudação de Charles Roy Harper Jr por ocasião do Aniversário de 80 Anos do JMC

  1. Queridos amigos MANUELINOS de todo o Brasil, estou saboreando cada frase, cada linha deste site. Sou Edmar moro em Brasília-DF, sou Presbítero da IPI do Cruzeiro-DF. Estudei no querido JMC de 1965 a 1970. Lembro como se fosse hoje, chegamos ao JMC, no dia 05 de fevereiro de 1965, ( eu, meu irmão Josemar vulgo Campeão, o Almir, o Leci e o Jaci Sardinha) uma chuva… descemos na Estação de Jandira, com uma malinha de papelão na cabeça e lama até os joelhos. Eu com apenas 15 anos, nunca havia saído da barra da saia da mamãe. Morava no interior de Goiás, eu só chorava com saudades de casa. Mais o tempo foi passando fomos aprendendo a amar o querido JMC, e como eu era bolsista fui trabalhar na cozinha com o sr. João e D. Romilda, lavando louça e arrumando o refeitório, para as refeições. Foram 7 anos que transformaram a minha vida. O Jota pra mim foi muito mais que uma escola. Parabenizo a voce Eduardo e a sua esposa Paloma, por não deixar que essa chama tão forte que ainda arde nos corações de todos os manuelinos as maravilhosas lembranças do nosso tão querido INSTITUTO EDUCACIONAL JOSÉ MANOEL DA CONCEIÇÃO. Todos os anos eu vou a Jandira, visitar o que sobrou daquele que foi um dia um pedacinho do céu de todos nós Manuelinos. Gostaria muito de obter notícias do Paulo Casar da Silva Rodrigues vulto (Caveirinha) aquele que foi o meu maior amigo no JMC. Fiquem todos com Deus.

    Edmar.

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