Lista dos Formandos de 1963 no JMC

Formaram-se, naquela ocasião, no Segundo Ciclo do Curso Secundário (Curso Colegial Clássico):

Airton Neves Ormond
Assir Pereira
Celso Martins
Cilas Gonçalves
Deoclécio Silveira do Amaral
Eduardo Oscar de Campos Chaves *
Hamilton Felix de Souza
Hélio de Castro e Souza
Ireno Dias Ribeiro *
Maria Helena Pires
Natanael Florenço do Amaral
Octávio Stradioto
Otoniel Marinho de Oliveira
Robert Nicholas Lodwick

Formaram-se pelo Primeiro Ciclo do Curso Secundário (Curso Ginasial):

Benedito Barbosa de Souza
Carmelino Souza e Silva
Eunice Rodrigues de Sá
Getúlio Rosa da Guia *
Hilze Schneider
Irma Chaves Eguez
Isauro Batista Carriel *
João Rhonaldo de Andrade *
Judith Augusta dos Santos
Lindolfo Teixeira *
Maria Altina Felix da Silva
Mário de Oliveira Mello
Nivalda Barbosa Franco
Paulo Cosiuc *
Renée Myriam de Camargo
Ronan Pereira da Silva *
Rubens Faria
Sueli Barbosa Cavalcanti
Vera Lúcia Felício Papa
Vera Lúcio Monteiro Saldanha

(*) Presentes no Encontro de Campinas, de 22 a 24 de Setembro de 2017

Em Campinas, 23 de Setembro de 2017

Fotos do Primeiro Dia (22/9/2017)

Eis o link para os fotos do Primeiro Dia, 22-9-2017:

Posted by Instituto "José Manuel da Conceição” on Saturday, September 23, 2017

Em Campinas, 23 de Setembro de 2017

O Primeiro Dia do Encontro: 22/9/2017

ENCONTRO DOS MANUELINOS EM CAMPINAS… 22-9-2017
 
E foi a tarde e a noite do primeiro dia…
 
Bom, o Quinto Encontro Estendido (3 dias) dos Manuelinos está ocorrendo a pleno vapor em Campinas, no Hotel Golden Park Viracopos — que fica exatamente no ponto em que as Rodovias Bandeirantes e Santos Dumont se encontram. (Para quem vem de São Paulo, pela Bandeirantes, é necessário pegar a Santos Dumont na direção de Viracopos / Indaiatuba / Salto / Itu / Sorocaba e imediatamente sair à direita, na primeira saída, onde se pode ver um Posto de Gasolina. Dali há placas para o Hotel, que fica a 1 km. Por incrível que pareça, dentro do hotel não se houve o tráfego intenso que passa fora. Os quartos são extremamente confortáveis e a comida boa.
 
Cheguei ontem, 22-9, sexta-feira, por volta das 11h30, apesar de o checkin ser a partir das 14h. Havia combinado com o Almir e a Jacira, que foram os organizadores deste evento (como dos anteriores), vindos lá de perto de Belo Horizonte, bater um papinho antes de ter muita gente. Eles haviam chegado no dia anterior 21-9, quinta-feira — como também o fizeram o Coutinho e a Márcia, vindos lá de Santa Catarina… Além dos quatro já estavam no hotel o Ireno, vindo de Cuiabá, o Javan, vindo de Passa Quatro, o Jairo Brasil e a muher… (não me lembro de onde o Jairo e a mulher moram; só sei que estavam acabando de chegar de viagem do exterior.) Logo em seguida chegaram o Elizeu, a Marly e a Elke, filha deles. Ficamos batendo papo, tomando cerveja e beliscando salgadinhos debaixo de uma mangueira bonita, relembrando os bons tempos… Depois foi chegando mais gente (o Emílio, vindo do Rio de Janeiro, o Tonhão, o Lindolfo, etc.), mas esses foram os primeiros.
 
Almoçamos no restaurante do hotel — almoço cobrado à parte, porque nosso pacote previa chegada às 14h de sexta e saída por volta da mesma hora no domingo. R$ 43 por pessoa, depois de alguma negociação… Todo mundo achou meio carinho, mas a fome era maior do que o apego ao dinheirinho…
 
Depois das 14h começou chegar bastante mais gente: O Pemberton com a mulher, o Leci, o Ronan (vindo de Pouso Alegre, MG), com a família inteira (inclusive três filhos e netos – fiquei gamado na Heloísa, netinha dele, de um aninho de idade, quase dois), o Patrocínio, o Paulão Cosiuc, apesar de fraquinho com a doença, o João Rhonaldo e a Sueli, mulher dele, a Isva Xavier (já me dando uma bronca por que não tenho ido com frequência à Catedral, igreja de que ambos somos membros), etc. Mais tarde chegaram a Anne-Marie, vinda do Paraná, a Nancy, que foi diretora das moças em 1963 e, parece, 1964, o Isauro e família, etc. Sei que estou deixando gente de fora, mas à medida que olhar as fotos e identificar as pessoas, algumas dos quais não conheço (gente que não me foi contemporânea, “aderentes” (cônjuges, filhos, netos, amigos, etc.).
 
Uma coisa fantástica que o Almir e a Jacira inventaram foi o conceito de “Manuelino Honorário” (não é bem esse o nome que eles usam, mas o conceito é esse). Para quem vem aos encontros sem ter sido manuelino, eles bolaram um certificado “manueliza” a pessoa para fins de participação na “confraria”… Até crianças são assim honorarizados. É muito bacana, por uma razão que o Almir, o Elizeu e eu discutimos um pouco e que passo a discutir – passando essa ideia a ser o tema principal deste primeiro relato.
 
É, de qualquer ângulo que se olhe a questão, algo perto de um milagre que, quase 90 anos depois da fundação do JMC, em 1928, e quase 50 anos depois de seu fechamento, no final de 1970, ainda seja possível reunir quase 50 manuelinos (e mais uns 20 aderentes) em um encontro para o qual alguns viajaram basicamente um dia inteiro…
 
Ou vejamos.
 
Quando o colégio fechou, em 1970, a média de idade dos alunos, imagino, deveria ser algo entre 15 e 25 anos. Como já faz quase 50 anos (para arrendondar: 47, na verdade), o ex-aluno MAIS NOVO do JMC tem por volta de 65 a 75 anos de idade. Juntar quase 50 pessoas com idade começando nessa faixa não é fácil… Mas estamos aqui. Contando o Pemberton, ex-diretor na época em que eu estudei, que acabou de fazer 96 anos, havia gente com mais de 80, havia o que me pareceu ser uma maioria na casa dos 70 (como eu), e a “criançada” de menos de 70, mas certamente acima de 60. Nenhum de nós tem problema em dizer a idade — embora seja desnecessário, porque a gente sabe, com uma aproximação muito boa…
 
Quando criamos a Associação de Alumni e Alumnae do Instituto José Manuel da Conceição, no fim dos anos 1980 ou começo dos anos 1990, por instigação do Takasi Simizu, a ideia era congregar os ex-alunos esparsos por esse Brasil afora. Por volta de 1995, quando a Web chegou ao Brasil, criei um site para a Associação, publicamos uma newsletter, agitamos bastante. Alguns, mais ousados, queriam recriar o JMC e começaram até examinar a questão se era possível “des-desapropriar” o campus que havia sido desapropriado pela Prefeitura de Jandira, numa história muitíssimo mal-contada que até hoje, quem conhece, não abre a boca pra contar como foi nem sob ameaça de desterro para a Síria ou para a Tchetchênia. Aos poucos viu-se que recriar o JMC era uma utopia. Mas sempre ficou um certo mal-estar nostálgico, decorrente da certeza de que, se não fizermos nada, daqui a pouco os ex-alunos estarão todos mortos, e quem se lembrará do Jota?
 
Pensou-se em criar um Museu do JMC, talvez lá no local, em uma sala a ser cedida pela Câmara Municipal, mas não foi fácil levar adiante a ideia. O Emílio Eigenheer chamou a si a tarefa de coordenar algumas publicações, eu continuei a botar relatos e depoimentos no blog, foi feita uma mostra no Museu Presbiteriano em Campinas, não me lembro bem quando, mas a coisa ficou por aí.
 
Em um artigo que escrevi para um Dicionário de Instituições Educacionais Protestantes (ou seriam Presbiterianas), a ser publicado pelo Mackenzie (deve ser de Instituições Presbiterianas o escopo), e que não foi publicado ainda (embora tenha distribuído algumas cópias para amigos), estabeleci uma distinção entre o “corpo do JMC” (que infelizmente, está morto e enterrado, exceto pelas nossas carinhosas lembranças) e a “alma do JMC” que, a julgar por este encontro, o primeiro dos cinco de que eu posso participar, está muitíssimo viva e “serelepe” (à semelhança do Elizeu depois que começou a fazer pilates e conseguiu curar a dor no joelho dele). E as “tochas” que mantêm a alma viva, como uma luz que brilha, estão sendo ampliadas pelos manuelinos honorários. Se contarmos com o fato de que há algumas crianças com menos de dez anos presentes aqui, que são manuelinos de terceira geração, netos dos colegas que frequentaram a escola nas suas duas últimas décadas de vida, podemos contar com o fato de que, se trabalharmos bem, aumentando o número de honorários jovens, a “alma” do Jota estará preservada no mínimo por uns 50 anos mais…
 
Vamos pensar em como fazer isso?
 
Em Campinas, 23 de Setembro de 2017, de manhãzina, antes do café.
 
Eduardo CHAVES
 

Este Blog e a Página no Facebook

Hoje é 24 de Julho de 2016, Domingo. Tirei a manhã deste dia para ler todos os comentários que existem em posts deste blog. Ao todo, há 87 comentários. Só o artigo de apresentação, que aparece fixo quando se entra no blog, tem nada menos do que 40 comentários! Assim, quem entra aqui às vezes lê apenas um ou dois artigos e não se beneficia com a leitura dos comentários que são feitos diretamente após a transcrição do blog. Aproveitem, tirem um dia para ler esses valiosos depoimentos. Talvez encontrem ali alguém que um dia foi seu BFF – Best Friend Forever (Melhor Amigo Para Sempre).

O endereço oficial do blog é:

https://jmc.org.br

Além do blog, também mantenho uma Página do Instituto JMC no Facebook. Seu endereço oficial é:

https://www.facebook.com/institutojmc/

É com enorme satisfação que vi a movimentação aumentar significativamente na página do “Instituto ‘José Manuel da Conceição'” nos últimos dias.

Gente nova, que nunca havia visitado a página, como o Flavio Dorneles Ferreira, o chamado “Cebolinha 2” (não sei por que “2”), aportou lá e, além de fazer vários comentários, sempre bem-vindos, provocou várias respostas.

Continuem a visitar este blog e a página no Facebook. Lá há muita interação, comentários, fotos…

Mesmo que não estudou lá ou nunca ouviu falar dessa escola, que existiu de 1928 a 1970, é bem-vindo. Estudei lá de 1961 a 1963, tendo lá feito o meu “Curso Clássico” (Ensino Médio de hoje).

O JMC foi a escola mais importante que eu frequentei. E mais, digamos, “impactante” em minha vida.

Para os que não estudaram no JMC, o Instituto também é conhecido como simplesmente “O JMC”, ou mesmo “O Jota”. Os que lá estudaram são conhecidos como “Manuelinos”.

Finalmente, não confundir o Instituto com o Seminário “José Manuel da Conceição”, da Igreja Presbiteriana do Brasil, que é uma instituição bem posterior. Sempre achei que a IPB deveria ter posto um outro nome em seu Seminário, para não confundir as pessoas. Mas eu e a IPB nunca nos entendemos. Felizmente, registrei o domínio jmc.org.br antes dela.

Obrigado a todos os que nos visitam aqui.

Em São Paulo, 24 de Julho de 2016.

Eduardo CHAVES
Responsável pela página
No JMC de 1961 a 1963
Hoje morando em SALTO, SP
eduardo.chaves@jmc.org.br
instituto@jmc.org.br

Memória, Identidade e o “Ser Manuelino”

[Micropalestra que fiz em Jandira, SP, 20 de Junho de 1998, por ocasião de encontro dos ex-alunos do JMC. Eduardo Chaves]

Queridos Manuelinos:

O Takashi me pediu para coordenar os trabalhos aqui hoje (20/6), neste nosso encontro anual (1998) em Jandira (SP). O Gerson Lacerda se responsabilizará pela parte devocional, nós, sem a menor dúvida, vamos cantar, e vamos discutir algumas coisas eminentemente práticas. Mas eu não poderia iniciar esta reunião sem fazer algumas reflexões de natureza teórico-prática com vocês. Parte do que vou dizer já disse antes – na verdade, já venho dizendo há tempo. A outra parte foi se cristalizando na minha mente à medida que pensava em algo interessante para dizer para vocês aqui hoje. Sou filósofo. Por isso minhas reflexões não deixarão de ter um tom meio filosófico.

John Locke, filósofo inglês do século XVII, defendeu a tese de que nossa identidade pessoal é totalmente dependente de nossa memória. Ele argumentou de várias formas em defesa dessa tese. Mas, no fundo, ele achava que a tese era bastante autoevidente. Ele propôs o seguinte “experimento teórico” aos seus leitores. Imaginemos que numa determinada cidade vivam um príncipe e um sapateiro. Eles nunca se encontraram e não se conhecem. Uma bela manhã, entretanto, o sapateiro acorda totalmente sem as suas memórias, mas com as memórias do príncipe, e diz: “O que estou fazendo aqui neste local imundo? E com essas roupas horríveis? Mordomo! Onde você está?” Nada de mordomo. “Rainha, onde você está?” Nada de rainha. No lugar dela aparece a mulher do sapateiro. O príncipe diz: “Quem é você? O que estou fazendo aqui? Onde está meu mordomo?” Etc. (Os diálogos estou inventando, não são de Locke). Por outro lado, o príncipe acorda totalmente sem as suas memórias, mas com as do sapateiro, e também desconhece o local em que está, sentindo-se perdido no palácio, querendo ir embora para sua casa na periferia da cidade. Segundo Locke, se isso acontecesse, nós sem dúvida diríamos que o príncipe e o sapateiro haviam trocado de identidade. Pura e simplesmente.

Há muito a favor da tese de Locke. Quando alguém tem amnésia total, em virtude algum acidente ou de alguma doença, passa, em um sentido importante do termo, a ser outra pessoa. Começa vida nova. Adquire nova identidade. Há um filme de muito interessante de Harrison Ford em que isso acontece com ele, chamado Regarding Henry (de 1991)>

Também há um livro de ficção científica famoso, escrito por Robert Heinlein, em que se defende tese semelhante, I Will Fear no Evil (Não Temerei Mal Algum), em que o cérebro perfeitamente sadio de um velho cujo corpo era mantido vivo por instrumentos, e que era podre de rico, é transplantado para o corpo de uma linda moça, sua secretária. O autor gasta uma boa quantidade de páginas argumentando que o a pessoa que passou a existir no corpo da moça era de fato o velho, que mudou de corpo, adquirindo um novo (e bem mais apresentável!) – porque as memórias preservadas no cérebro transplantado eram as do velho, e, portanto, a identidade que permaneceu deveria ser a sua, a despeito do novo corpo.

Para que tanta discussão desse problema?

Porque estou convicto de que Locke estava certo e que é a memória a base da identidade pessoal. Na verdade, acredito que a memória é também a base da identidade de um povo ou de um grupo. É por isso que os Israelitas tinham que constantemente se lembrar de sua história. Preservar a sua história é manter a identidade de um povo ou de um grupo. Cultivar a memória é uma forma de manter a identidade em uma pessoa. Aquilo que eu esqueço deixa de ser parte de mim, deixa de ser parte de minha identidade.

Algumas vezes no passado me perguntei se ainda era protestante. Hoje não tenho dúvida. O Rubem Alves me convenceu de que sou. Sou, porque fui. Sou, porque vividamente me lembro de ter sido. Ser protestante é parte de minha memória viva, e, portanto, uma parte inextricável de minha identidade. (Vide o artigo do Rubem Alves que transcrevi em meu outro blog, em que ele discute isso: “Confissões de um Protestante Obstinado”, publicado em meu blog Liberal Space, em https://liberal.space/2015/10/07/confissoes-de-um-protestante-obstinado-depoimento-de-rubem-alves/.

Outras vezes no passado me dei conta de que ainda continuava amando as mulheres que amei. Hoje isso não me assusta, mais. Amo, porque amei. Amo, porque vividamente me lembro de tê-las amado. O amor que um dia senti de determinada forma é parte de minha memória viva, e, portanto, parte de minha identidade como pessoa, e, assim, ainda existe, ainda que não se expresse da mesma forma exterior.

Talvez essas considerações expliquem o que sinto pelo JMC – o que todos sentimos, acredito. Não gosto de me rotular, nem que me rotulem, de ex-Manuelino. Sou Manuelino até hoje. Sou, porque fui.

O que me causa espanto é que essa parece ser a experiência de todos os Manuelinos. Há uma surpreendente unanimidade entre os Manuelinos, que é o sentimento terno e carinhoso que mantêm pela escola. Basta olhar as mensagens deixadas no site. Uma vez Manuelino, sempre Manuelino. Somos Manuelinos, porque fomos. Somos, porque essa escola vive em nossa memória como uma das passagens mais importantes da nossa vida. Somos, porque é impossível que alguém realmente nos entenda hoje, num sentido profundo, sem entender o que essa escola significou para nós.

Lembro-me do que me contou o Dorival Xavier, no culto de 7/2/98. Disse-me que imprimiu minha vinheta sobre o JMC e fez cópias para seus filhos, dizendo: “Leiam isso aí, para que vocês saibam o que significa ser Manuelino”. Senti-me mais ou menos assim como deve ter se sentido o escritor sagrado, contando a história do povo de Israel, para que as novas gerações não perdessem a sua identidade.

A última turma a cursar o JMC o fez cerca de trinta anos atrás, em 1969 ou 1970, não estou bem certo. É possível que daqui a 50 anos não haja mais nenhum Manuelino vivo. A MENOS QUE ser Manuelino passe a ser mais um estado de espírito do que uma condição histórica. A MENOS QUE ser Manuelino passe a ser assim algo semelhante a ser Judeu, que mesmo sem ter nascido na Palestina, mesmo sem pátria, no exílio ou na diáspora, continuou a ser Judeu – porque se lembrava do Senhor seu Deus que o tirou da terra do Egito.

O nosso esforço com esta nossa Associação, como eu disse na abertura do site do JMC na Internet, é não permitir que a memória do JMC se perca, é preservar a memória, e, portanto, preservar a identidade do Manuelino – e, de certo forma, dar continuidade à raça, mesmo que de forma virtual.

Hoje, com computadores, grande parte da nossa memória está armazenada não no nosso cérebro, mas em meios magnéticos. Nossos computadores hoje passam a fazer parte de nossa identidade. O mesmo se dá no caso do JMC. O site do JMC na Internet é indispensável para a continuidade da raça. Como é o museu. E muitas outras coisas.

Já resgatamos nosso hino. Hoje temos aqui nossa bandeira, de novo, num trabalho de resgate histórico fenomenal do Takashi. Depois teremos nossas camisetas, nossos agasalhos. Aos poucos vamos recuperando fotos, histórias, objetos. Essas coisas são importantes, contudo, apenas pelas memórias que elas evocam e representam.

A esperança, dizia um professor meu do Seminário de Pittsburgh, se fundamenta na memória. Nós somos o que fomos, é verdade – mas somos também o que desejamos e esperamos ser. Nós somos o resultado dessa mescla de lembranças e sonhos, recordações e desejos, memória e esperança. O povo de Israel confiava na vinda do Messias (tinha esperança) porque se lembrava de que, no passado, Deus havia estado ao lado do seu povo (porque tinha memória).

A memória, já temos. Precisamos agora trabalhar para dar corpo ao nosso sonho. É a parte mais difícil, porque a memória é aquilo que foi – mas o futuro está aberto, pode ser o que sonhamos, e os sonhos são muitos, e muitas vezes incompatíveis. Mas é preciso trabalhar para procurar definir um horizonte na direção do qual caminhar.

É por isso que estamos mais uma vez aqui.

Bem-vindos a esse novo encontro dos Manuelinos.

Jandira, SP, 20 de Junho de 1998

Eduardo Chaves

Transcrito aqui em São Paulo em 6 de Novembro de 2015

O Passado, a Memória, e o Futuro

No ano que vem, 2011, vai fazer cinqüenta anos que eu entrei no JMC. Foi em 1961. A escola durou apenas nove anos mais; foi fechada em 1970 – quarenta anos atrás  As pessoas que cursaram a escola naquele último ano estão hoje com cerca de cinqüenta anos, pelo menos. Quanto o JMC completar cem anos de fundação, haverá algum manuelino ainda vivo? Lembrar-se-á alguém ainda dessa escola maravilhosa?

Não podemos fazer nada quanto à duração da vida dos manuelinos. Mas podemos fazer muito para que, no futuro, o JMC seja lembrado – se não por manuelinos, caso a raça tenha se tornado extinta, pelo menos pelos seus descendentes, ou por outras pessoas que nada tiveram que ver com manuelinos.

Foi por isso que levei o Gabriel ao encontro, ontem. Ele tem dez anos. É meu neto mais velho. Queria que ele ficasse conhecendo um monte de pessoas extremamente legais. Cronologicamente velhas, já, da perspectiva dele. Mas ainda jovens de espírito. (Hoje faço exatamente 66 anos e meio – farei 67 no dia 7 de setembro. Mas ontem ouvi alguém se referir a mim como “aquele menino que conhece o Décio Madruga”… Fiquei realizado. Além de jovem em espírito eu, para alguns dos meus colegas ali, era ainda “o menino”… A Martha Faustini, que este ano faz 90 anos, e é minha amiga, e está firme: foi colega de meu pai no JMC na década de 30).

As nossas reuniões, os livros e cadernos que temos publicado, os sites e blogs que colocamos no ar, são, todos eles, tentativas que fazemos de preservar a nossa memória. De impedir que nossos filhos e netos desconheçam a escola que nós freqüentamos e que tanto nos marcou.

Se eu estiver vivo, terei 84 anos quando o JMC completar o primeiro centenário de sua fundação, em 8/2/2028. Acho difícil que esteja – mas minha mãe morreu menos de dois meses antes de celebrar 84 anos de vida.

Meu pai entrou no JMC em 1934 – seis anos depois de sua fundação. Faz setenta e seis anos que eu tenho algum vínculo, ainda que indireto, com o JMC. Quanto a vínculo direto, e como eu já disse, no ano que vem fará cinqüenta anos que eu entrei no Jota. Meio século, E ainda me lembro da minha vida lá de 1961 a 1963 melhor do que me lembro de coisas que aconteceram bem mais recentemente.

Em Salto, 7 de Março de 2010